Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva

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Os 19 contos que compõem Um Exu em Nova York olham para questões contemporâneas sob a mediação do encontro entre dois mundos: o físico e o espiritual. Daí Exu, essa entidade mediadora. Que ganha fama de comunicador por conseguir fazer a conexão entre os dois planos, que combina características do material, do carnal, da vida terrena com a elevação e a sublimação sobrehumanas. As breves histórias oníricas do livro são concretas, factíveis, mas são também cheias de elementos mitológicos e simbólicos. Exu está lá, assim como estão outras figuras que nos relembram da diáspora africana. Tudo em um contexto atual, que recorta indicadores e marcadores como raça, gênero, sexualidade e classe. Um Exu em Nova York é o segundo livro de contos da mineira Cidinha da Silva e é o tema deste episódio do Põe na Estante, em que a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e produtora cultural Maitê Freitas e o escritor Lucas Verzola, editor da Revista Lavoura.

Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com
Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Mutações, de Liv Ullmann

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T2.E5. MutaçõesA atriz e diretora Liv Ullmann compartilha com o leitor suas memórias. Nas páginas deste livro autobiográfico, a norueguesa resgata lembranças da infância, da adolescência, do início da vida nos palcos e nas telas. Conta das inspirações que teve, dos conflitos que enfrentou, dos amores, dos rompimentos, dos inícios e dos fins. Liv Ullmann confidencia ao leitor, em Mutações, seus ciclos de vida – onde começa e onde termina cada um. E, mais do que isso, se dispõe a tirar a máscara e mostrar o que está por trás dela: como ela entra e como ela sai de cada um desses ciclos. Nunca a mesma pessoa. As experiências a transformam, é um caminho sem volta. E ela fica cada vez maior. Como atriz, como mulher, como pessoa. Mutações, de Liv Ullmann, é o tema deste quinto episódio do podcast Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe a radialista e apresentadora Roberta Martinelli e o empreendedor Igor Miranda, autor do Instagram literário @aestanteemmim.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

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Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Resta Um, de Isabela Noronha

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T2.E4. Resta UmA narradora principal desta história é Lúcia, mãe de Amélia. Ou Linha, como os pais a chamavam carinhosamente. Professora da Universidade de São Paulo, matemática brilhante, Lúcia mede o mundo pelos números e é por eles também que conta suas histórias, que acrescenta detalhes, que provoca reflexões. Pelo menos até o desaparecimento da filha, Amélia.

Aliás, muita coisa muda depois que a menina não chega em casa na hora combinada, nem em hora nenhuma. A relação intensa que Lúcia tem com a carreira, por exemplo, que antes parecia roubar o primeiro plano, perde o brilho, a graça e o sentido. Assim como o casamento de Lúcia e José, que entra em descompasso, com cada um tentando lidar com a ausência de uma forma. A busca por Amélia, a linha entre a loucura e a sanidade quando tudo desmorona. É sobre isso Resta Um, da Isabela Noronha, o livro-tema deste quarto episódio da segunda temporada do Põe na Estante.

A obra é narrada em três recortes: Lúcia conta a história no momento do desaparecimento de Amélia, e cerca de seis anos depois do acontecimento; e há uma terceira narrativa, feita por outra personagem, que demoramos a entender quem é. Na conversa sobre Resta Um, a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima e o produtor editorial Marcelo Nardeli.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

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Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

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Mamãe & Eu & Mamãe é o livro tema deste sétimo e penúltimo episódio da primeira temporada do podcast do Põe na Estante. A obra é uma das autobiografias de Maya Angelou. A escritora, cineasta e ativista americana nos leva à sua infância e à sua adolescência, para que conheçamos desde o princípio a relação que ela criou com duas mães – a biológica e a avó paterna, que a criou na primeira infância, depois que os pais dela se separaram. Nem o pai, nem a mãe se sentia capazes de criar dois filhos – Maya e o irmão que ela tanto admira, Bailey – e os enviaram para Stamps, Arkansas, onde vivia a avó. Quando Maya tem 13 anos, ela e o irmão precisam voltar a viver com a mãe, em St. Louis, no Missouri. Em meio ao retorno a uma cidade grande, em um contexto de segregação racial, a garota tenta superar o abandono para reconstruir o vínculo com a mãe – mulher que ela descreve como símbolo de elegância, beleza, força, assertividade e determinação. Mamãe & Eu & Mamãe foi escrito quando Maya Angelou já tinha oitenta anos e sobre ele a apresentadora Gabriela Mayer conversa com a produtora cultural Ana Carolina Campos e com a escritora Aline Bei.

IG: @poenaestante
E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa

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O sexto episódio do podcast Põe na Estante vai à Angola por meio das páginas de O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa. Félix Ventura é um vendedor de passados. Ele confecciona árvores genealógicas para uma nova elite angolana que vai se formando depois da guerra civil no país, encerrada definitivamente em 2002. Aqueles que olham para trás e não enxergam tanta glória, ou aqueles que olham e se lembram que deixaram um rastro de sangue ou sujeira procuram o negro albino Félix para reconstruir sua trajetória. Com um passado de luxo em mãos, documentado, eles seguem o rumo. Quem nos conta esta história é um narrador que, por fisiologia, consegue se espremer em qualquer canto e que, por isso, sabe detalhes que ninguém mais saberia. O Vendedor de Passados é um romance de 2004 e é sobre ele que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Laís Duarte e Vitor Tavares.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – A Queda, de Albert Camus

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Chegamos ao quinto episódio do podcast Põe na Estante com um romance filosófico de Albert Camus. Jean-Baptiste Clamence, como o narrador diz se chamar, é um autointitulado juiz-penitente. Um advogado de defesa parisiense que, a partir de um papo de bar, faz sua confissão sobre a vida, sua revisão de consciência em Amsterdã, cenário deste livro. Meio romance, meio filosofia, A Queda é um monólogo, já que o interlocutor, invisível, nunca aparece, apesar de sempre estar lá. Na verdade, é para mim, é para você, é para nós, leitores, que este narrador fala, jogando uma longa lista de questões sobre a existência, sobre a humanidade, sobre culpa, sobre moral. Escrito em 1956, A Queda foi a última obra publicada por Camus, que morreu em 1960, e é sobre ela que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Natália André e Felipe Bueno.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Top 10 – 2018

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É sempre difícil selecionar os melhores livros do ano, mas escolhi dez que me marcaram de maneiras diferentes.

– Como as democracias morrem: importante pra entender o ano. Dois professores de Harvard mostram como hoje as democracias são minadas por dentro, sem golpes e tanque nas ruas. A partir do exemplo de países como a Hungria e a Turquia, os autores descrevem como governos eleitos democraticamente podem ser o primeiro passo para fragilizar e até destruir o sistema democrático.

– La Perra: este livro foi a descoberta de uma autora colombiana até então inédita na minha estante, Pilar Quintana. A história acontece na costa da Colômbia no Pacífico – o que é raro; a maioria das obras daquele país que têm o litoral como cenário acontecem na costa Atlântica. Diante da impossibilidade de ter filhos, Damaris quer uma cachorra e não imagina quantas questões humanas um animal pode despertar: a maternidade, o amor e a morte entre elas.

– Canção de Ninar: o livro da franco-marroquina Leïla Slimani, que foi uma das convidadas da Flip 2018, começa com a babá matando as crianças (não é spoiler, é a abertura da obra). No caminho para contar como a história terminou assim, a autora nos faz pensar sobre relações sociais, imigração e sobre ser mulher.

– Tempo de Migrar para o Norte: a obra do sudanês Tayeb Salih é considerada o romance árabe mais importante do século XX. Depois de sete anos estudando em Londres, o protagonista volta à sua pequena aldeia, à beira do Nilo, e ao se deparar com um forasteiro que também passou anos fora e voltou, pensa sobre o passado e o presente do país, com questionamentos sobre os papéis de colonizadores e colonizados.

– As Alegrias da Maternidade: a nigeriana Buchi Emecheta era inédita no Brasil. Na Nigéria do início do século XX, ser mãe (de menino) era o que fazia uma mulher. A protagonista dessa história divide com o leitor a angústia de não conseguir ter um filho homem.

– O Conto da Aia: li com atraso o livro de Margaret Atwood que inspirou a série de mesmo nome. Num futuro distópico, os Estados Unidos são governados por ultraconservadores que baseiam as leis na religião e reservam às mulheres um lugar de servidão e invisibilidade. É um livro brutal.

– Sol na Cabeça: em 13 contos, o carioca Geovani Martins traz a infância e a adolescência de moradores de favelas, a partir da vivência que ele mesmo teve. São narrativas ricas e cheias de ritmo, algumas delas com grande ênfase na oralidade que traz os personagens para mais perto.

– O Pai da Menina Morta: a partir da própria experiência, o autor, que perdeu uma filha pequena, reúne fragmentos de histórias, lembranças e sonhos permeados pelo luto. Um livro de extrema beleza e sensibilidade.

– Não me Abandone Jamais: no fim de sua carreira de cuidadora, Kathy relembra a infância em um colégio interno que esconde deles a verdade sobre a vida dos alunos. O livro começou lento, demorou a me pegar, mas de repente me vi sem conseguir desgrudar da história.

– Da Poesia: uma coletânea de poemas da brasileira Hilda Hilst, que foi a grande homenageada da Flip 2018. Nunca fui uma leitora voraz de poesia, mas esse livro me gerou grande identificação com os versos.