Podcast – Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

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Mamãe & Eu & Mamãe é o livro tema deste sétimo e penúltimo episódio da primeira temporada do podcast do Põe na Estante. A obra é uma das autobiografias de Maya Angelou. A escritora, cineasta e ativista americana nos leva à sua infância e à sua adolescência, para que conheçamos desde o princípio a relação que ela criou com duas mães – a biológica e a avó paterna, que a criou na primeira infância, depois que os pais dela se separaram. Nem o pai, nem a mãe se sentia capazes de criar dois filhos – Maya e o irmão que ela tanto admira, Bailey – e os enviaram para Stamps, Arkansas, onde vivia a avó. Quando Maya tem 13 anos, ela e o irmão precisam voltar a viver com a mãe, em St. Louis, no Missouri. Em meio ao retorno a uma cidade grande, em um contexto de segregação racial, a garota tenta superar o abandono para reconstruir o vínculo com a mãe – mulher que ela descreve como símbolo de elegância, beleza, força, assertividade e determinação. Mamãe & Eu & Mamãe foi escrito quando Maya Angelou já tinha oitenta anos e sobre ele a apresentadora Gabriela Mayer conversa com a produtora cultural Ana Carolina Campos e com a escritora Aline Bei.

IG: @poenaestante
E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa

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O sexto episódio do podcast Põe na Estante vai à Angola por meio das páginas de O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa. Félix Ventura é um vendedor de passados. Ele confecciona árvores genealógicas para uma nova elite angolana que vai se formando depois da guerra civil no país, encerrada definitivamente em 2002. Aqueles que olham para trás e não enxergam tanta glória, ou aqueles que olham e se lembram que deixaram um rastro de sangue ou sujeira procuram o negro albino Félix para reconstruir sua trajetória. Com um passado de luxo em mãos, documentado, eles seguem o rumo. Quem nos conta esta história é um narrador que, por fisiologia, consegue se espremer em qualquer canto e que, por isso, sabe detalhes que ninguém mais saberia. O Vendedor de Passados é um romance de 2004 e é sobre ele que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Laís Duarte e Vitor Tavares.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – A Queda, de Albert Camus

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Chegamos ao quinto episódio do podcast Põe na Estante com um romance filosófico de Albert Camus. Jean-Baptiste Clamence, como o narrador diz se chamar, é um autointitulado juiz-penitente. Um advogado de defesa parisiense que, a partir de um papo de bar, faz sua confissão sobre a vida, sua revisão de consciência em Amsterdã, cenário deste livro. Meio romance, meio filosofia, A Queda é um monólogo, já que o interlocutor, invisível, nunca aparece, apesar de sempre estar lá. Na verdade, é para mim, é para você, é para nós, leitores, que este narrador fala, jogando uma longa lista de questões sobre a existência, sobre a humanidade, sobre culpa, sobre moral. Escrito em 1956, A Queda foi a última obra publicada por Camus, que morreu em 1960, e é sobre ela que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Natália André e Felipe Bueno.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Top 10 – 2018

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É sempre difícil selecionar os melhores livros do ano, mas escolhi dez que me marcaram de maneiras diferentes.

– Como as democracias morrem: importante pra entender o ano. Dois professores de Harvard mostram como hoje as democracias são minadas por dentro, sem golpes e tanque nas ruas. A partir do exemplo de países como a Hungria e a Turquia, os autores descrevem como governos eleitos democraticamente podem ser o primeiro passo para fragilizar e até destruir o sistema democrático.

– La Perra: este livro foi a descoberta de uma autora colombiana até então inédita na minha estante, Pilar Quintana. A história acontece na costa da Colômbia no Pacífico – o que é raro; a maioria das obras daquele país que têm o litoral como cenário acontecem na costa Atlântica. Diante da impossibilidade de ter filhos, Damaris quer uma cachorra e não imagina quantas questões humanas um animal pode despertar: a maternidade, o amor e a morte entre elas.

– Canção de Ninar: o livro da franco-marroquina Leïla Slimani, que foi uma das convidadas da Flip 2018, começa com a babá matando as crianças (não é spoiler, é a abertura da obra). No caminho para contar como a história terminou assim, a autora nos faz pensar sobre relações sociais, imigração e sobre ser mulher.

– Tempo de Migrar para o Norte: a obra do sudanês Tayeb Salih é considerada o romance árabe mais importante do século XX. Depois de sete anos estudando em Londres, o protagonista volta à sua pequena aldeia, à beira do Nilo, e ao se deparar com um forasteiro que também passou anos fora e voltou, pensa sobre o passado e o presente do país, com questionamentos sobre os papéis de colonizadores e colonizados.

– As Alegrias da Maternidade: a nigeriana Buchi Emecheta era inédita no Brasil. Na Nigéria do início do século XX, ser mãe (de menino) era o que fazia uma mulher. A protagonista dessa história divide com o leitor a angústia de não conseguir ter um filho homem.

– O Conto da Aia: li com atraso o livro de Margaret Atwood que inspirou a série de mesmo nome. Num futuro distópico, os Estados Unidos são governados por ultraconservadores que baseiam as leis na religião e reservam às mulheres um lugar de servidão e invisibilidade. É um livro brutal.

– Sol na Cabeça: em 13 contos, o carioca Geovani Martins traz a infância e a adolescência de moradores de favelas, a partir da vivência que ele mesmo teve. São narrativas ricas e cheias de ritmo, algumas delas com grande ênfase na oralidade que traz os personagens para mais perto.

– O Pai da Menina Morta: a partir da própria experiência, o autor, que perdeu uma filha pequena, reúne fragmentos de histórias, lembranças e sonhos permeados pelo luto. Um livro de extrema beleza e sensibilidade.

– Não me Abandone Jamais: no fim de sua carreira de cuidadora, Kathy relembra a infância em um colégio interno que esconde deles a verdade sobre a vida dos alunos. O livro começou lento, demorou a me pegar, mas de repente me vi sem conseguir desgrudar da história.

– Da Poesia: uma coletânea de poemas da brasileira Hilda Hilst, que foi a grande homenageada da Flip 2018. Nunca fui uma leitora voraz de poesia, mas esse livro me gerou grande identificação com os versos.

A Série Napolitana

a-amiga-genial-elena-ferranteÀs vezes, a história de duas amigas não é a história de duas amigas. Ou não é só. Nesse caso, a história de duas amigas é um descritivo cheio de minúcias da sociedade italiana, um filme sobre as transformações sociais e econômicas na Segunda Guerra e depois dela, e um questionamento – sem uma linha de ativismo – sobre a condição feminina e o machismo.

Elena Greco é a narradora das cerca de 1500 páginas que compõem os quatro volumes da série napolitana. Elena Greco é também Lenu, amiga de Raffaela Cerullo, Lila. Lenu e Lila nasceram em um bairro pobre de Nápoles, na década de 1940. Cresceram juntas e dividiram ali as primeiras brincadeiras, os primeiros amores e os primeiros livros. Lila é brilhante, mas é Lenu quem não desiste nunca de estudar. É ela também quem publica um livro que a faz reconhecida. Mas isso vem depois. Antes, há os primeiros conflitos, as primeiras dúvidas, as primeiras palavras e os primeiros silêncios.

Lenu e Lila são inseparáveis nos dois primeiros livros. A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome contam a infância e a juventude das duas amigas. Elena narra sob a justificativa de que a palavra é o que fica depois que a gente vai. Ela conta essa história porque Lila sumiu – é o que sabemos no início do primeiro livro, quando o filho dela pede a ajuda de Lenu, já velha, para encontrá-la. É por isso que a tetralogia começa, que Elena Greco volta às memórias para registrá-las no papel. Se não há mais o corpo, não há mais o afeto, as palavras são o que restam.

Lenu descreve a relação com Lila em detalhes. Um vínculo ora generoso, cheio de incentivos e cuidados, ora competitivo, cheio de provocações e seduções. As duas são complementares, ao mesmo tempo em que são oposições. Lenu às vezes se sente manipulada, comandada pela amiga ainda que tente se opor. Consciente do quanto eram simbióticos esses afetos, às vezes tinha dúvidas se tomava decisões para agradar Lila ou para incomodá-la. Podia ser os dois. Ou podia ser só para ter certeza de que ocuparia um lugar na história. “Lila era má: em algum lugar secreto de mim, eu continuava a pensar isso. Ela me mostrara que sabia ferir não só com as palavras, mas que também saberia matar sem hesitação, e mesmo assim suas potencialidades agora me pareciam uma ninharia. Eu me dizia: ela vai desatar algo ainda mais nefasto, e recorria à palavra malefício, um vocábulo exagerado, que me vinha das fábulas de infância.”

História da Menina Perdida - Elena FerranteNo terceiro e no quarto volumes da série napolitana, História de Quem Foge e de Quem Fica e História da Menina Perdida, Lila e Lenu são adultas, não mais tão inseparáveis e tomam caminhos diferentes. Lenu sai de Nápoles para continuar estudando; Lila fica. Lenu circula entre intelectuais; Lila trabalha em uma fábrica e flerta com o movimento operário. Lenu muda-se para o norte, uma Itália rica, associada à industrialização e ao progresso; Lila fica no sul, uma Itália pobre, associada às tradições. Entre idas e vindas, casamentos e separações, filhos e novos filhos, Nápoles segue sendo o ponto de encontro. Para Lenu, a cidade soa agora estranha, alheia ao que ela construiu. Para Lila, Nápoles segue sendo símbolo do pertencimento, do domínio sobre a própria vida.

Mas Nápoles é apenas a geografia dos encontros. A sintonia, quando ela vem, está na resistência. Lenu e Lila são sobreviventes – não vítimas, mas resultados das próprias escolhas para seguir vivendo em um cenário bruto e opressor. Ainda que por percursos distintos, as duas amigas deram os passos necessários para resistir. Uma negando o feminino, lutando contra ele diariamente; a outra, mesmo entre tantos conflitos, tentando acolhê-lo. Não à toa a aproximação de Lila e Lenu depois de anos de silêncio e distância, vem quando as duas descobrem estarem grávidas. “Os meses de gravidez, apesar das preocupações, passaram rápido para mim, e muito lentamente para Lila. Várias vezes tivemos de constatar que experimentávamos um sentimento de espera muito diverso. Eu dizia frases do tipo: estou no quarto mês; ela, frases como: ainda estou no quarto mês. É verdade, a cor de Lila logo melhorou, seus traços suavizaram. Mas nossos organismos, mesmo sendo submetidos ao mesmo processo de reprodução da vida, continuaram sofrendo suas fases de maneira diferente, o meu com zelosa colaboração, o dela, com desanimada resignação.”

Autora misteriosa que usa esse pseudônimo para ocultar a verdadeira identidade, a italiana Elena Ferrante é boa com as palavras. Escolhe aquele jeito de escrever que a gente lê como se os tomos fossem fininhos, breves. Nem parece que foram 1500 páginas. A escritora também gosta de nos provocar com os títulos. Em A Amiga Genial, levamos o livro todo para saber, afinal, quem é a mais genial delas. Terminamos sem saber bem. Assim como em História da Menina Perdida o leitor não tem certeza se o título faz referência a quem perdeu o rumo, quem perdeu a vida, ou quem se perdeu – qual das tantas meninas que se perderam nesses quatro volumes.

Um romance de formação. Um romance social. Um romance histórico. A série napolitana é tudo isso. Os livros escritos por Elena Ferrante percorrem a segunda metade do século XX e chegam ao início do XXI com reflexões reais e cruas. Não que a obra se proponha a questionar, mas ao narrar com tanto realismo e até com violência, acaba colocando muitas instituições contra a parede. Inclusive o machismo. Aliás, parece uma intersecção do romance com a vida real quando a série napolitana vira um fenômeno de vendas, recebe as deferências cabidas à boa literatura, e as especulações se voltam para a possibilidade de Elena Ferrante ser um homem.

O leitor perde muito lendo a série napolitana, não vou mentir. Perde o sono, perde o conforto, perde a presença. É um luto quando os livros terminam, com a ausência de Lenu e Lila. Mas o que ele ganha nem se compara. O leitor ganha a possibilidade de um fim, de acompanhar uma trajetória completa, de saber o que vem depois. É a própria narradora quem nos sentencia a volta à realidade, na última página do último livro: “Diferentemente do que ocorre nos romances, a vida verdadeira, depois que passou, tende não para a clareza, mas para a obscuridade.” Voltemos, então, às nossas confusas questões diárias que nunca saberemos como, nem quando vão se esclarecer, mas que podemos escolher como enfrentar – se resistindo ou não.

Stoner

Difícil superar o fim da leitura de Stoner. Não queria me separar do protagonista que dá Stonernome ao livro e com quem dividi uma vida inteira. A vida dele. Soube como ele cresceu, viveu e morreu. Sozinho, quase sempre, ainda que acompanhado. O romance, publicado pela primeira vez em 1965, ficou meio século esquecido, até ser redescoberto por alguns críticos e escritores. Esta obra de John Willians é só isso: a vida de William Stoner.

“Quando não estava preparando aulas, corrigindo trabalhos ou lendo teses, estudava e escrevia. Tinha a esperança de que, com o tempo, pudesse estabelecer para si mesmo uma boa reputação como estudioso e como professor.”

Nascido em uma família humilde de agricultores na zona rural, o personagem, que guarda certas semelhanças com o autor, vai para a cidade estudar. Os estudos de agronomia na Universidade do Missouri ajudariam no sítio da família, mas quis o Soneto 73 de Shakespeare que Stoner se apaixonasse pela literatura. Esses foram os versos que o fizeram derramar sentido sobre si próprio, as palavras que o levaram à consciência de um mundo que não precisava ser decorado como as aulas de química e podia ser redescoberto a cada nova interpretação. Na literatura, William Stoner encontra também prazer em ensinar e vira professor universitário especializado em literatura medieval. O letramento e a aproximação com os livros o afastam dos pais, o que apesar de não enchê-lo de culpa o carrega de certa tristeza resignada.

Em sua trajetória a partir daí, não há feitos extraordinários. Ele se casa, tem uma filha, enfrenta problemas no trabalho, lida com alegrias e frustrações – muito mais frustrações do que alegrias, fica doente e morre. O que persiste: uma solidão profunda. Os colegas na universidade, os poucos amigos, os pais, a esposa Edith, que ele não ama, e a filha, que quando poderia compreendê-lo já está distante demais, não parecem capazes de acompanhá-lo em suas intenções, em suas palavras ou em suas ações virtuosas e convictas. A exceção é a relação com outra mulher, a única conexão real que Stoner parece conseguir fazer, a única pessoa capaz de arrancá-lo de uma solidão persistente. “Sonhava com a perfeição, com mundos em que eles poderiam ficar sempre juntos, e quase acreditava no que sonhava.”

John Williams é um narrador extraordinário. Sua prosa flui mente adentro sem percalços. Seus personagens são tão ordinários e tão reais. O autor é capaz de construir uma obra-prima a partir da vida de um homem comum. Comum e ingênuo, que acredita na universidade, na academia, nas Letras. Mas pouco nele mesmo.

Stoner é de uma mediocridade heroica. Ele é capaz de se resignar em nome do bem-estar de outros, entrega os pontos quando as palavras perdem o sentido, é capaz de deixar de decidir o que tem consequências cruciais em seu futuro, mas não abre mão da ética. É tomado por uma resignação que alguns consideram apatia e covardia; eu considero contemplação e deferência.

“O que sentia era a luz, a luz brilhante do sol da tarde. Piscou e considerou impassivelmente o céu azul e o brilhante contorno do sol que podia ver de sua janela. Decidiu que eram reais. Moveu a mão, e com esse movimento sentiu uma força curiosa fluir para dentro de si, como se viesse do ar.”

Esta obra de John Williams é tudo isso: a vida de William Stoner.

Stoner, de John Williams. Tradução de Marcos Maffei. Rádio Londres, 314 páginas, R$ 43.

 

O Passageiro Secreto

Para uma obra breve, uma resenha brevíssima. Livro de Joseph Conrad tem mar, pode saber. O escritor britânico que nasceu e cresceu em uma Polônia ocupada pela Rússia foi tripulante de diversas embarcações, chegando ao posto de capitão. Muitas de suas histórias são também navegantes, como O Passageiro Secreto.

O passageiro secretoEm uma viagem, um capitão resgata, no meio da noite, um náufrago do mar. Sem o conhecimento do resto da tripulação, ele permite que o passageiro fique. Esconde-o em sua própria cabine e divide com ele o diminuto espaço de seus aposentos. Quando juntos, conversam em voz baixa para evitar atenções indesejadas. Quando sozinho, o passageiro é praticamente invisível. Ninguém o nota. “Enquanto ele pendia da escada, como um nadador em repouso, os relâmpagos marinhos percorriam seus braços e pernas a cada movimento; e o revelavam espectral, prateado, lembrando um peixe. Mudo como um peixe, também.”

Silencioso, mas sincero, o náufrago ganha a confiança do capitão e, aos poucos, do leitor também – apesar do motivo que o levou às águas do mar. Entre os dois personagens nasce uma cumplicidade intrincada, que leva a um reconhecimento mútuo. Em alguns momentos, dá pra confundir quem é quem, onde começa um e termina o outro, como uma sombra ou um espelho. “Estava tão identificado com meu duplo secreto que nem mencionei o acontecido naqueles sussurros escassos e cautelosos que trocávamos.”

Além de ser curto, o livro é desses que passam rápido. Quando você nota, já terminou. A trama flerta com o suspense e o texto é agradável, fluido, ritmado – lembra o mar em seus dias tranquilos.

O Passageiro Secreto, de Joseph Conrad. Tradução de Sergio Flaksman. Cosac Naify, menos de 100 páginas (elas não são numeradas e têm a beirada trabalhada com artes incríveis!), R$ 39,90.