9x Mário

Imagem de divulgação do evento.

Imagem de divulgação do evento.

Agenda na mão? Então, anote aí. Começa sexta-feira (10/04) o projeto 9x Mário, promovido pela Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Serão nove encontros ao longo do ano, entre nove ilustradores e nove contadores de história que trabalharão juntos, em duplas, em torno de contos do escritor modernista.

Uma homenagem aos 90 anos da bilbioteca e aos 70 anos da morte de Mário de Andrade. Os primeiros convidados são a ilustradora Gabriela Saccheto e a contadora Fernanda Rivitti. A história recontada com recursos gráficos e da oralidade será o conto Tempo de Camisolinha.

O encontro dessa sexta será no saguão da biblioteca, que fica nesse endereço aqui, e começa às 19h30. Não paga nada.

ps: Mais motivos para comemorar! Pelas leis que regulamentam os direitos autorais, a obra entra em domínio público 70 anos após a morte do autor (completados, no caso de Mário de Andrade, em fevereiro deste ano). Começa a valer no ano seguinte. Portanto, a partir de primeiro de janeiro de 2016, teremos acesso livre a todos os textos conhecidos do mais modernista dos modernistas.

Flip 2015 e Mário de Andrade

O Põe na Estante faz um lembrete para ajudar a organizar sua agenda literária de 2015. A Festa Literária Internacional de Paraty deste ano ainda não tem programação divulgada, mas tem data marcada. A Flip será realizada de 1º a 5 de julho. Já anote aí! Os detalhes do evento serão publicados em maio.

Mário de AndradeDepois de Millôr Fernandes, o homenageado será o modernista Mário de Andrade. A 13ª edição da Festa coincide com os 70 anos da morte do poeta, escritor e crítico literário. No site da Flip, um texto lembra que, entre os motivos para escolhê-lo como figura central deste ano, está a contribuição da obra de Mário de Adrade para a cultura brasileira e o fato de o autor ter contribuído, por exemplo, para a “a preservação da cidade de Paraty e a própria Flip, que guarda muito de seu espírito irrequieto, festeiro e articulador.”

Macunaíma primeira edição

Capa da 1ª edição de Macunaíma.

Pra reforçar as homenagens, a editora Nova Fronteira, que publica o escritor aqui no Brasil, prepara o lançamento de novos livros, incluindo uma versão em quadrinhos de MacunaímaCafé, obra inédita. No ano que vem, a obra de Mário de Andrade entra em domínio público.

Pra quem já quiser ir esquentando, a colunista da Folha de S.Paulo Raquel Cozer reportou que, já em fevereiro, chega às livrarias “Eu Sou Trezentos”, obra de Eduardo Jardim sobre o escritor modernista. O livro trará fotos do acervo de Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros.

Velórios

VelóriosRodrigo Melo Franco de Andrade é um ficcionista de carreira curta. Curtíssima. Um livro, nada mais. O autor foi o primeiro diretor do Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Deixou como legado literário a obra Velórios, de 1936. A primeira edição teve apenas 200 exemplares, pagos pelo próprio escritor. Mas logo ele se arrependeu, quis tirá-los de circulação. Felizmente, restaram alguns e novas edições vieram. Rodrigo foi contemporâneo e amigo de grandes modernistas. Foi Manuel Bandeira quem deu o título de Velórios e, segundo ele, dos oito contos da obra, apenas dois foram totalmente inventados.

Rodrigo convida o leitor a participar de oito velórios, descritos, no geral, a partir de diálogos triviais. As palavras sem importância revezam o tom de drama, de comicidade e de melancolia que permeia as mortes desses personagens. Há pouco de tragédia e muito do que seria um conto do realismo machadiano, não fosse a ironia modernista que invade cada um desses rituais de morte. Haja papo furado em torno do caixão… ” – Quando eu venho para passar uma noite assim, nunca deixo de ser prevenido. Trago umas três carteiras de cigarro e outras tantas caixas de fósforo, porque conheço muito essas coisas. Todo mundo pega a fumar, na conversa, e não demora a acabar com o maço que traz no bolso. Daí mais um pouco está é filando da gente e não há cigarro que chegue.”

Em Velórios, há contos longos; outros breves. Em Quando minha avó morreu, o autor é econômico. Descreve em cinco páginas o conflito do jovem Totônio. De um lado, um adolescente desejoso de viver os prazeres da juventude, trancado no quarto para passar brilhantina no cabelo, preocupado com futilidades. Do outro, o Totônio que recebe a notícia da morte da avó e se veste de preto dos pés à cabeça para fazer jus ao que ele acredita ser um tamanho luto. “Considerei que luto por avó deveria ser forçosamente pesado. Não poderia se resumir num lacinho qualquer no braço. (…) E à medida que planejava vestir-me à altura das circunstâncias, uma excitação imensa foi se apoderando de mim.”

A história mais longa do livro é O Nortista, Rodrigo escreve praticamente um romance em 31 páginas. O “eminente deputado” Hermógenes Viana foi do Pará ao sul do Brasil para fazer carreira e fortuna. Ele viaja para um sítio no interior de Minas Gerais, acompanhado de um médico-assistente, para tratar a tuberculose que o aflige. O conto, narrado pelo médico, relata a relação sem empatia entre patrão e empregado, que se distanciam por seus sotaques e seus valores, ao mesmo tempo em que forçam certa intimidade. O médico se vê cada vez mais inserido na comunidade rural dos arredores, enquanto o patrão despreza com mais intensidade “a mesquinhez e a moleza daquela gente”. “De resto, cada um de nós vivia para seu lado o dia inteiro e restava pouco tempo para nos hostilizarmos.”

A nova edição da Cosac Naify ainda vem com alguns bônus. Uma nota-prefácio de Pedro Dantas e posfácios que incluem uma carta de Mário de Andrade a Rodrigo M. F. de Andrade, e análises de Manuel Bandeira, Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido. Todos, de certa forma, embasbacados com o apurado senso de observação com que esse ficcionista descreve um velório à brasileira.

Velórios, Rodrigo M. F. de Andrade. Cosac Naify, 143 páginas, R$ 53.