Resta Um, de Isabela Noronha

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T2.E4. Resta UmA narradora principal desta história é Lúcia, mãe de Amélia. Ou Linha, como os pais a chamavam carinhosamente. Professora da Universidade de São Paulo, matemática brilhante, Lúcia mede o mundo pelos números e é por eles também que conta suas histórias, que acrescenta detalhes, que provoca reflexões. Pelo menos até o desaparecimento da filha, Amélia.

Aliás, muita coisa muda depois que a menina não chega em casa na hora combinada, nem em hora nenhuma. A relação intensa que Lúcia tem com a carreira, por exemplo, que antes parecia roubar o primeiro plano, perde o brilho, a graça e o sentido. Assim como o casamento de Lúcia e José, que entra em descompasso, com cada um tentando lidar com a ausência de uma forma. A busca por Amélia, a linha entre a loucura e a sanidade quando tudo desmorona. É sobre isso Resta Um, da Isabela Noronha, o livro-tema deste quarto episódio da segunda temporada do Põe na Estante.

A obra é narrada em três recortes: Lúcia conta a história no momento do desaparecimento de Amélia, e cerca de seis anos depois do acontecimento; e há uma terceira narrativa, feita por outra personagem, que demoramos a entender quem é. Na conversa sobre Resta Um, a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima e o produtor editorial Marcelo Nardeli.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com
Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

A Filha Perdida, de Elena Ferrante

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O fenômeno Elena Ferrante chega ao podcast do Põe na Estante neste terceiro episódioWhatsApp Image 2019-12-13 at 17.05.10 (1) da temporada que tem como tema Leia Mulheres.

Junho chegou e Leda teve vontade de viajar. A professora universitária pegou os livros e foi para a praia para as férias de verão. A temporada solitária, em uma casa alugada, abre portas para longas reflexões sobre o passado e o presente, a partir de um gatilho de identificação: Leda enxerga em uma ruidosa família napolitana, vizinhos de barraca na praia, muito do que ela já foi e do que ela poderia ser, mas não é. Em especial na imagem de Nina e Elena, mãe e filha, cujas figuras geram certa obsessão na protagonista. De longe e, aos poucos, também de perto, Leda observa, analisa e julga a experiência do feminino e da maternidade nesta outra mulher, que é jovem, esbelta e elegante, destoa da família que a acompanha.

A aproximação entre as duas acontece depois que a menina Elena se perde na praia e Leda se identifica com o desespero de Nina ao procurá-la. A protagonista, que é também quem nos narra esta história, encontra a menina e a partir daí, encontra muitas outras coisas da própria história. A Filha Perdida, de Elena Ferrante, é o tema desta conversa da apresentadora Gabriela Mayer com os jornalistas Adriana Cimino, repórter da TV Cultura, e Marcelo Duarte, autor de O Guia dos Curiosos.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

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Tudo Pode Ser Roubado, de Giovana Madalosso

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Chegamos ao segundo episódio da segunda temporada do podcast do Põe na Estante, cujo tema é Leia Mulheres, com uma autora brasileira contemporânea.

WhatsApp Image 2019-12-13 at 17.05.10A protagonista deste livro é uma garçonete que trabalha em um restaurante chique da região da Avenida Paulista, marco da cidade de São Paulo. Ela aproveita a abertura com clientes para estender o vínculo com eles para além da mesa. Vai parar na casa de homens e mulheres que frequentam o lugar e, portanto, são cheios da grana, e aproveita para roubar. Roupas de grife, sapatos, acessórios.

Até que Biel aparece. Um vigarista de carreira que faz uma porposta: que ela aproveite o charme e o know-how para seduzir um professor universitário fechado e arredio a tentativas de aproximação para roubar O Guarani, de José de Alencar. Isso mesmo, o livro. Mas não qualquer um. Uma primeira edição, de 1857, valiosíssima.

Tudo Pode ser Roubado é o primeiro romance de Giovana Madalosso e é também o tema deste episódio do Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe os jornalistas Andresa Boni, apresentadora da TV Cultura, e Rodrigo Valente, assessor de imprensa e autor do Instagram @objetolivro.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

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Podcast – Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

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Mamãe & Eu & Mamãe é o livro tema deste sétimo e penúltimo episódio da primeira temporada do podcast do Põe na Estante. A obra é uma das autobiografias de Maya Angelou. A escritora, cineasta e ativista americana nos leva à sua infância e à sua adolescência, para que conheçamos desde o princípio a relação que ela criou com duas mães – a biológica e a avó paterna, que a criou na primeira infância, depois que os pais dela se separaram. Nem o pai, nem a mãe se sentia capazes de criar dois filhos – Maya e o irmão que ela tanto admira, Bailey – e os enviaram para Stamps, Arkansas, onde vivia a avó. Quando Maya tem 13 anos, ela e o irmão precisam voltar a viver com a mãe, em St. Louis, no Missouri. Em meio ao retorno a uma cidade grande, em um contexto de segregação racial, a garota tenta superar o abandono para reconstruir o vínculo com a mãe – mulher que ela descreve como símbolo de elegância, beleza, força, assertividade e determinação. Mamãe & Eu & Mamãe foi escrito quando Maya Angelou já tinha oitenta anos e sobre ele a apresentadora Gabriela Mayer conversa com a produtora cultural Ana Carolina Campos e com a escritora Aline Bei.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa

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O sexto episódio do podcast Põe na Estante vai à Angola por meio das páginas de O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa. Félix Ventura é um vendedor de passados. Ele confecciona árvores genealógicas para uma nova elite angolana que vai se formando depois da guerra civil no país, encerrada definitivamente em 2002. Aqueles que olham para trás e não enxergam tanta glória, ou aqueles que olham e se lembram que deixaram um rastro de sangue ou sujeira procuram o negro albino Félix para reconstruir sua trajetória. Com um passado de luxo em mãos, documentado, eles seguem o rumo. Quem nos conta esta história é um narrador que, por fisiologia, consegue se espremer em qualquer canto e que, por isso, sabe detalhes que ninguém mais saberia. O Vendedor de Passados é um romance de 2004 e é sobre ele que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Laís Duarte e Vitor Tavares.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – O Irmão Alemão, de Chico Buarque

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O quarto episódio do Põe na Estante fala sobre o quinto romance de Chico Buarque, O Irmão Alemão. Francisco está à procura de um irmão que ele descobriu por acaso. Sérgio, que leva o mesmo nome do pai, foi fruto de um romance vivido em Berlim, antes do casamento do intelectual patriarca da família Hollander. A mãe, uma italiana de personalidade forte e que remete a um extremo cuidado familiar, não fala do assunto. Aliás, ninguém fala. A busca pelo irmão alemão, uma história com base na realidade e que ganhou enredo ficcional neste livro, é rodeada de silêncios. O narrador parte de cartas e correspondências oficiais para especular sobre o que teria sido deste irmão, que rumo ele teria seguido. Ele imagina coisas terríveis, pensando em como teria sido a infância de Sergio na Alemanha nazista. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar toma forma, endurece e o irmão que ele conhece e admira, carinhosamente chamado de Mimmo, desaparece. À sombra dos irmãos, Francisco nos guia por suas histórias, seus afetos e seus livros. O Irmão Alemão foi lançado em 2014 pela Companhia das Letras e é o livro deste episódio do Põe na Estante, em que conversei com a jornalista Aiana Freitas e com o jornalista e escritor Tomás Chiaverini.

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Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – A Criança no Tempo, de Ian McEwan

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Chegamos ao terceiro episódio do Põe na Estante com o terceiro romance do premiado escritor britânico Ian McEwan. A Criança no Tempo tem o escritor de livros infantis Stephen Lewis como protagonista. Ele nunca pensou que uma ida ao supermercado pudesse transformar a vida, mas é o que acontece quando a filha dele, Kate, uma menina de três anos de idade, desaparece completamente. As portas do estabelecimento são fechadas às pressas, uma busca intensa é feita no entorno, mas a garota some completamente. Quando ele dá a notícia à esposa, Julie, o leitor começa a mergulhar na dor e no desamparo daquela família agora com um espaço vazio. Stephen e Julie vão se isolando, ele na tentativa de encontrar a filha a qualquer custo, fazendo as próprias buscas, batendo de porta em porta; ela em uma depressão que a deixa apática, sentada na poltrona da casa, até conseguir reagir. O casamento desenvolve fissuras profundas, os silêncios vão tomando conta e a perda nunca é mencionada para evitar que ela fique concreta demais. A Criança no Tempo foi publicado em 1987 e relançado em 2018 pela Companhia das Letras, por ocasião dos 70 anos do autor. É ele o tema deste episódio, em que eu recebo os jornalistas Thaís Manarini e Renan Sukevicius.

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Podcast – A Uruguaia, de Pedro Mairal

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O segundo episódio do podcast Põe na Estante tem A Uruguaia, livro do argentino Pedro Mairal, como tema. Segundo romance do escritor, esta foi a obra que o fez mais conhecido. Mairal é hoje considerado pela crítica um dos principais nomes do novo boom literário da América Latina.  No livro, o escritor Lucas Pereyra é quem nos conta a história das fantasias que ele alimenta a respeito de uma jovem mulher que conheceu quando atravessou o Rio da Prata para um festival literário. O protagonista precisa cruzar mais uma vez de Buenos Aires para Montevidéu para receber 15 mil dólares de adiantamento pelo trabalho e, em meio a um casamento desgastado e monótono e a um bloqueio criativo, almeja encontrar a moça novamente. O romance dura o tempo da viagem, entre a ida e a volta, mas tem direito a idas e vindas no tempo para que o narrador possa compartilhar com o leitor memórias e contexto. Para conversar sobre A Uruguaia, eu recebo os jornalistas Juliana Kunc Dantas e Pablo Ribeiro. Nesta primeira temporada, o tema é boas-vindas e é sempre um dos convidados quem escolhe o livro da vez.

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Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast

O Põe na Estante agora tem podcast. Estreou hoje e o primeiro episódio fala sobre A Vegetariana, livro da sul-coreana Han Kang. Tatiana Vasconcellos, Theo Ruprecht e eu conversamos sobre as nossas impressões a respeito deste livro um tanto quanto perturbador.

A temporada de estreia do podcast tem como tema “Boas-vindas”, por isso é sempre um convidado quem escolhe o livro da vez. Nos primeiros oito episódios, obras variadas, brasileiras e estrangeiras, de homens e mulheres, clássicos e contemporâneos.

Você ouve no YouTube ou no Spotify. Depois me conta o que achou ;)

 

Top 10 – 2018

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É sempre difícil selecionar os melhores livros do ano, mas escolhi dez que me marcaram de maneiras diferentes.

– Como as democracias morrem: importante pra entender o ano. Dois professores de Harvard mostram como hoje as democracias são minadas por dentro, sem golpes e tanque nas ruas. A partir do exemplo de países como a Hungria e a Turquia, os autores descrevem como governos eleitos democraticamente podem ser o primeiro passo para fragilizar e até destruir o sistema democrático.

– La Perra: este livro foi a descoberta de uma autora colombiana até então inédita na minha estante, Pilar Quintana. A história acontece na costa da Colômbia no Pacífico – o que é raro; a maioria das obras daquele país que têm o litoral como cenário acontecem na costa Atlântica. Diante da impossibilidade de ter filhos, Damaris quer uma cachorra e não imagina quantas questões humanas um animal pode despertar: a maternidade, o amor e a morte entre elas.

– Canção de Ninar: o livro da franco-marroquina Leïla Slimani, que foi uma das convidadas da Flip 2018, começa com a babá matando as crianças (não é spoiler, é a abertura da obra). No caminho para contar como a história terminou assim, a autora nos faz pensar sobre relações sociais, imigração e sobre ser mulher.

– Tempo de Migrar para o Norte: a obra do sudanês Tayeb Salih é considerada o romance árabe mais importante do século XX. Depois de sete anos estudando em Londres, o protagonista volta à sua pequena aldeia, à beira do Nilo, e ao se deparar com um forasteiro que também passou anos fora e voltou, pensa sobre o passado e o presente do país, com questionamentos sobre os papéis de colonizadores e colonizados.

– As Alegrias da Maternidade: a nigeriana Buchi Emecheta era inédita no Brasil. Na Nigéria do início do século XX, ser mãe (de menino) era o que fazia uma mulher. A protagonista dessa história divide com o leitor a angústia de não conseguir ter um filho homem.

– O Conto da Aia: li com atraso o livro de Margaret Atwood que inspirou a série de mesmo nome. Num futuro distópico, os Estados Unidos são governados por ultraconservadores que baseiam as leis na religião e reservam às mulheres um lugar de servidão e invisibilidade. É um livro brutal.

– Sol na Cabeça: em 13 contos, o carioca Geovani Martins traz a infância e a adolescência de moradores de favelas, a partir da vivência que ele mesmo teve. São narrativas ricas e cheias de ritmo, algumas delas com grande ênfase na oralidade que traz os personagens para mais perto.

– O Pai da Menina Morta: a partir da própria experiência, o autor, que perdeu uma filha pequena, reúne fragmentos de histórias, lembranças e sonhos permeados pelo luto. Um livro de extrema beleza e sensibilidade.

– Não me Abandone Jamais: no fim de sua carreira de cuidadora, Kathy relembra a infância em um colégio interno que esconde deles a verdade sobre a vida dos alunos. O livro começou lento, demorou a me pegar, mas de repente me vi sem conseguir desgrudar da história.

– Da Poesia: uma coletânea de poemas da brasileira Hilda Hilst, que foi a grande homenageada da Flip 2018. Nunca fui uma leitora voraz de poesia, mas esse livro me gerou grande identificação com os versos.