Podcast – O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa

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O sexto episódio do podcast Põe na Estante vai à Angola por meio das páginas de O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa. Félix Ventura é um vendedor de passados. Ele confecciona árvores genealógicas para uma nova elite angolana que vai se formando depois da guerra civil no país, encerrada definitivamente em 2002. Aqueles que olham para trás e não enxergam tanta glória, ou aqueles que olham e se lembram que deixaram um rastro de sangue ou sujeira procuram o negro albino Félix para reconstruir sua trajetória. Com um passado de luxo em mãos, documentado, eles seguem o rumo. Quem nos conta esta história é um narrador que, por fisiologia, consegue se espremer em qualquer canto e que, por isso, sabe detalhes que ninguém mais saberia. O Vendedor de Passados é um romance de 2004 e é sobre ele que a apresentadora Gabriela Mayer conversa com os jornalistas Laís Duarte e Vitor Tavares.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

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Podcast – O Irmão Alemão, de Chico Buarque

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O quarto episódio do Põe na Estante fala sobre o quinto romance de Chico Buarque, O Irmão Alemão. Francisco está à procura de um irmão que ele descobriu por acaso. Sérgio, que leva o mesmo nome do pai, foi fruto de um romance vivido em Berlim, antes do casamento do intelectual patriarca da família Hollander. A mãe, uma italiana de personalidade forte e que remete a um extremo cuidado familiar, não fala do assunto. Aliás, ninguém fala. A busca pelo irmão alemão, uma história com base na realidade e que ganhou enredo ficcional neste livro, é rodeada de silêncios. O narrador parte de cartas e correspondências oficiais para especular sobre o que teria sido deste irmão, que rumo ele teria seguido. Ele imagina coisas terríveis, pensando em como teria sido a infância de Sergio na Alemanha nazista. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar toma forma, endurece e o irmão que ele conhece e admira, carinhosamente chamado de Mimmo, desaparece. À sombra dos irmãos, Francisco nos guia por suas histórias, seus afetos e seus livros. O Irmão Alemão foi lançado em 2014 pela Companhia das Letras e é o livro deste episódio do Põe na Estante, em que conversei com a jornalista Aiana Freitas e com o jornalista e escritor Tomás Chiaverini.

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – A Criança no Tempo, de Ian McEwan

Destacado

Chegamos ao terceiro episódio do Põe na Estante com o terceiro romance do premiado escritor britânico Ian McEwan. A Criança no Tempo tem o escritor de livros infantis Stephen Lewis como protagonista. Ele nunca pensou que uma ida ao supermercado pudesse transformar a vida, mas é o que acontece quando a filha dele, Kate, uma menina de três anos de idade, desaparece completamente. As portas do estabelecimento são fechadas às pressas, uma busca intensa é feita no entorno, mas a garota some completamente. Quando ele dá a notícia à esposa, Julie, o leitor começa a mergulhar na dor e no desamparo daquela família agora com um espaço vazio. Stephen e Julie vão se isolando, ele na tentativa de encontrar a filha a qualquer custo, fazendo as próprias buscas, batendo de porta em porta; ela em uma depressão que a deixa apática, sentada na poltrona da casa, até conseguir reagir. O casamento desenvolve fissuras profundas, os silêncios vão tomando conta e a perda nunca é mencionada para evitar que ela fique concreta demais. A Criança no Tempo foi publicado em 1987 e relançado em 2018 pela Companhia das Letras, por ocasião dos 70 anos do autor. É ele o tema deste episódio, em que eu recebo os jornalistas Thaís Manarini e Renan Sukevicius.

Podcast – A Uruguaia, de Pedro Mairal

Destacado

O segundo episódio do podcast Põe na Estante tem A Uruguaia, livro do argentino Pedro Mairal, como tema. Segundo romance do escritor, esta foi a obra que o fez mais conhecido. Mairal é hoje considerado pela crítica um dos principais nomes do novo boom literário da América Latina.  No livro, o escritor Lucas Pereyra é quem nos conta a história das fantasias que ele alimenta a respeito de uma jovem mulher que conheceu quando atravessou o Rio da Prata para um festival literário. O protagonista precisa cruzar mais uma vez de Buenos Aires para Montevidéu para receber 15 mil dólares de adiantamento pelo trabalho e, em meio a um casamento desgastado e monótono e a um bloqueio criativo, almeja encontrar a moça novamente. O romance dura o tempo da viagem, entre a ida e a volta, mas tem direito a idas e vindas no tempo para que o narrador possa compartilhar com o leitor memórias e contexto. Para conversar sobre A Uruguaia, eu recebo os jornalistas Juliana Kunc Dantas e Pablo Ribeiro. Nesta primeira temporada, o tema é boas-vindas e é sempre um dos convidados quem escolhe o livro da vez.

Podcast

O Põe na Estante agora tem podcast. Estreou hoje e o primeiro episódio fala sobre A Vegetariana, livro da sul-coreana Han Kang. Tatiana Vasconcellos, Theo Ruprecht e eu conversamos sobre as nossas impressões a respeito deste livro um tanto quanto perturbador.

A temporada de estreia do podcast tem como tema “Boas-vindas”, por isso é sempre um convidado quem escolhe o livro da vez. Nos primeiros oito episódios, obras variadas, brasileiras e estrangeiras, de homens e mulheres, clássicos e contemporâneos.

Você ouve no YouTube ou no Spotify. Depois me conta o que achou ;)

 

Top 10 – 2018

Destacado

É sempre difícil selecionar os melhores livros do ano, mas escolhi dez que me marcaram de maneiras diferentes.

– Como as democracias morrem: importante pra entender o ano. Dois professores de Harvard mostram como hoje as democracias são minadas por dentro, sem golpes e tanque nas ruas. A partir do exemplo de países como a Hungria e a Turquia, os autores descrevem como governos eleitos democraticamente podem ser o primeiro passo para fragilizar e até destruir o sistema democrático.

– La Perra: este livro foi a descoberta de uma autora colombiana até então inédita na minha estante, Pilar Quintana. A história acontece na costa da Colômbia no Pacífico – o que é raro; a maioria das obras daquele país que têm o litoral como cenário acontecem na costa Atlântica. Diante da impossibilidade de ter filhos, Damaris quer uma cachorra e não imagina quantas questões humanas um animal pode despertar: a maternidade, o amor e a morte entre elas.

– Canção de Ninar: o livro da franco-marroquina Leïla Slimani, que foi uma das convidadas da Flip 2018, começa com a babá matando as crianças (não é spoiler, é a abertura da obra). No caminho para contar como a história terminou assim, a autora nos faz pensar sobre relações sociais, imigração e sobre ser mulher.

– Tempo de Migrar para o Norte: a obra do sudanês Tayeb Salih é considerada o romance árabe mais importante do século XX. Depois de sete anos estudando em Londres, o protagonista volta à sua pequena aldeia, à beira do Nilo, e ao se deparar com um forasteiro que também passou anos fora e voltou, pensa sobre o passado e o presente do país, com questionamentos sobre os papéis de colonizadores e colonizados.

– As Alegrias da Maternidade: a nigeriana Buchi Emecheta era inédita no Brasil. Na Nigéria do início do século XX, ser mãe (de menino) era o que fazia uma mulher. A protagonista dessa história divide com o leitor a angústia de não conseguir ter um filho homem.

– O Conto da Aia: li com atraso o livro de Margaret Atwood que inspirou a série de mesmo nome. Num futuro distópico, os Estados Unidos são governados por ultraconservadores que baseiam as leis na religião e reservam às mulheres um lugar de servidão e invisibilidade. É um livro brutal.

– Sol na Cabeça: em 13 contos, o carioca Geovani Martins traz a infância e a adolescência de moradores de favelas, a partir da vivência que ele mesmo teve. São narrativas ricas e cheias de ritmo, algumas delas com grande ênfase na oralidade que traz os personagens para mais perto.

– O Pai da Menina Morta: a partir da própria experiência, o autor, que perdeu uma filha pequena, reúne fragmentos de histórias, lembranças e sonhos permeados pelo luto. Um livro de extrema beleza e sensibilidade.

– Não me Abandone Jamais: no fim de sua carreira de cuidadora, Kathy relembra a infância em um colégio interno que esconde deles a verdade sobre a vida dos alunos. O livro começou lento, demorou a me pegar, mas de repente me vi sem conseguir desgrudar da história.

– Da Poesia: uma coletânea de poemas da brasileira Hilda Hilst, que foi a grande homenageada da Flip 2018. Nunca fui uma leitora voraz de poesia, mas esse livro me gerou grande identificação com os versos.

Prêmio IPL – Retratos da Leitura

Destacado

A revista Quatro Cinco Um, a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura e a Flipoços estão entre os 12 vencedores do 3º Prêmio IPL -Retratos da Leitura, promovido pelo Instituto Pró-Livro. A honraria é dividida em quatro categorias: Bibliotecas, Cadeias Produtivas, Mídia e Organizações Sociais Civis. E tem muita coisa legal sendo feita!

Os interessados se inscreveram na Plataforma Pró-Livro. A primeira etapa selecionou dez finalistas e, na última segunda-feira (10/12), foram conhecidos os três vencedores de cada segmento.

Em Bibliotecas, venceram a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, organizada por jovens na periferia de São Paulo e que promove saraus, debates, clubes do livro; Parnamirim, um Rio que Flui para o Mar de Leitura, do Rio Grande do Norte, que também estimula a leitura por meio de atividades culturais diversas; e a Rede Baixada Literária, que promove a leitura com ações organizadas por bibliotecas da Baixada Fluminense. Na categoria Cadeia Produtiva, levaram a Caravana Teatral do Livro em Cena, do Paraná; o Festival Literário de Poços de Caldas, em Minas Gerais; e o Programa Myra – Juntos pela Leitura, de São Paulo. Em Mídia, os ganhadores foram a revista Quatro Cinco Um; o Jornal Joca; e o projeto Vá Ler um Livro. E as Organizações Sociais Civis de destaque foram o Clube de Leitura Quilombo Mirim, de São Paulo; o projeto Leituras na Praça, do Ceará; e o projeto Piracaia na Leitura, de São Paulo.

A Biblioteca Villa-Lobos e o Projeto Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas para Todos, ambos de São Paulo, receberam uma menção honrosa.