Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva

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Os 19 contos que compõem Um Exu em Nova York olham para questões contemporâneas sob a mediação do encontro entre dois mundos: o físico e o espiritual. Daí Exu, essa entidade mediadora. Que ganha fama de comunicador por conseguir fazer a conexão entre os dois planos, que combina características do material, do carnal, da vida terrena com a elevação e a sublimação sobrehumanas. As breves histórias oníricas do livro são concretas, factíveis, mas são também cheias de elementos mitológicos e simbólicos. Exu está lá, assim como estão outras figuras que nos relembram da diáspora africana. Tudo em um contexto atual, que recorta indicadores e marcadores como raça, gênero, sexualidade e classe. Um Exu em Nova York é o segundo livro de contos da mineira Cidinha da Silva e é o tema deste episódio do Põe na Estante, em que a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e produtora cultural Maitê Freitas e o escritor Lucas Verzola, editor da Revista Lavoura.

Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com
Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Resta Um, de Isabela Noronha

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T2.E4. Resta UmA narradora principal desta história é Lúcia, mãe de Amélia. Ou Linha, como os pais a chamavam carinhosamente. Professora da Universidade de São Paulo, matemática brilhante, Lúcia mede o mundo pelos números e é por eles também que conta suas histórias, que acrescenta detalhes, que provoca reflexões. Pelo menos até o desaparecimento da filha, Amélia.

Aliás, muita coisa muda depois que a menina não chega em casa na hora combinada, nem em hora nenhuma. A relação intensa que Lúcia tem com a carreira, por exemplo, que antes parecia roubar o primeiro plano, perde o brilho, a graça e o sentido. Assim como o casamento de Lúcia e José, que entra em descompasso, com cada um tentando lidar com a ausência de uma forma. A busca por Amélia, a linha entre a loucura e a sanidade quando tudo desmorona. É sobre isso Resta Um, da Isabela Noronha, o livro-tema deste quarto episódio da segunda temporada do Põe na Estante.

A obra é narrada em três recortes: Lúcia conta a história no momento do desaparecimento de Amélia, e cerca de seis anos depois do acontecimento; e há uma terceira narrativa, feita por outra personagem, que demoramos a entender quem é. Na conversa sobre Resta Um, a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima e o produtor editorial Marcelo Nardeli.

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Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com
Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Podcast – O Irmão Alemão, de Chico Buarque

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O quarto episódio do Põe na Estante fala sobre o quinto romance de Chico Buarque, O Irmão Alemão. Francisco está à procura de um irmão que ele descobriu por acaso. Sérgio, que leva o mesmo nome do pai, foi fruto de um romance vivido em Berlim, antes do casamento do intelectual patriarca da família Hollander. A mãe, uma italiana de personalidade forte e que remete a um extremo cuidado familiar, não fala do assunto. Aliás, ninguém fala. A busca pelo irmão alemão, uma história com base na realidade e que ganhou enredo ficcional neste livro, é rodeada de silêncios. O narrador parte de cartas e correspondências oficiais para especular sobre o que teria sido deste irmão, que rumo ele teria seguido. Ele imagina coisas terríveis, pensando em como teria sido a infância de Sergio na Alemanha nazista. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar toma forma, endurece e o irmão que ele conhece e admira, carinhosamente chamado de Mimmo, desaparece. À sombra dos irmãos, Francisco nos guia por suas histórias, seus afetos e seus livros. O Irmão Alemão foi lançado em 2014 pela Companhia das Letras e é o livro deste episódio do Põe na Estante, em que conversei com a jornalista Aiana Freitas e com o jornalista e escritor Tomás Chiaverini.

IG: @poenaestante
E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

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Anunciados os 20 finalistas da 11ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, promovido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Vamos à lista. Prêmio São Paulo de Literatura

*Na categoria Melhor Romance de 2017, concorrem:
– Ana Paula Maia, Assim na Terra como Embaixo da Terra (Record)
– Carol Bensimon, O Clube dos Jardineiros de Fumaça (Cia das Letras)
– Evandro Affonso Ferreira, Nunca Houve Tanto Fim como Agora (Record)
– Heloisa Seixas, Agora e na Hora (Cia das Letras)
– Joca Reiners Terron, Noite Dentro da Noite (Cia das Letras)
– Leonardo Brasiliense, Roupas Sujas (Cia das Letras)
– Marcelo Mirisola, Como se me Fumasse (34)
– Márcia Barbieri, O Enterro do Lobo Branco (Patuá)
– Micheliny Verunschk, O Peso do Coração de um Homem (Patuá)
– Milton Hatoum, A Noite da Espera (Cia das Letras)

*Na categoria Melhor Livro do Ano de Romance – Autor estreante com mais de 40 anos:
– Carlos Eduardo Pereira, Enquanto os Dentes (Todavia)
– Cinthia Kriemler, Todos os Abismos Convidam para um Mergulho (Patuá)
– Cristiano Baldi, Correr com Rinocerontes (Não Editora)
– Cristina Judar, Oito de Sete (Reformatório)
– José Roberto Walker, Neve na Manhã de São Paulo (Cia das Letras)
– Leonor Cione, O Estigma de L. (Quelônio)

*Na categoria Melhor Livro do Ano de Romance – Autor estreante com menos de 40 anos:
– Aline Bei, O Peso do Pássaro Morto (Nós)
– José Almeida Júnior, Última Hora (Record)
– Mauro Paz, Entre Lembrar e Esquecer (Patuá)
– Tiago Feijó, Diário da Casa Arruinada (Penalux)

O júri do Prêmio São Paulo de Literatura é formado por dez nomes ligados ao mundo dos livros e da literatura. O júri final, que vai escolher os três vencedores, terá cinco profissionais. O autor ou a autora escolhido/a na categoria principal (Melhor Romance) leva R$200 mil; nas outras, a gratificação é de R$100 mil em cada uma. Todas as obras finalistas foram publicadas em 2017.

Clube do Livro – Episódio 3: “O Sol na Cabeça”

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O terceiro episódio do Clube do Livro do Põe na Estante fala sobre a obra de estreia do carioca Geovani Martins, O Sol na Cabeça. Os treze contos que ocupam as 120 páginas editadas pela Companhia das Letras já ganharam tradução em pelo menos oito idiomas. A jornalista Gabriela Forte e o economista Luiz Felipe Fustaino ajudam a pensar os porquês de tamanho sucesso. Corre pra ver!

Caderno de um Ausente

caderno de um ausenteÉ prosa, mas é quase poesia. São palavras, mas é mais ainda silêncio. Caderno de um Ausente é o segundo romance do contista João Anzanello Carascoza. Mais uma vez, ele busca no cotidiano a inspiração para um texto breve e sensível.

O livro é o caderno de um pai de meia-idade para a filha Bia, recém-nascida. Ele acha que não vai conseguir vê-la crescer e, por isso, quer deixar no papel ensinamentos e impressões sobre a vida. Mas, ao invés de ensinar a escolher caminhos, o narrador ensina a questionar; deixa as escolhas em aberto e as lacunas – tão frequentes no dia a dia – também. Trata-se de um pai ponderado e consciencioso, que alerta sem alarmar, orienta sem amedrontar, protege sem cercear, fala sem exagerar e (muitas vezes) silencia sem consternar. “Eu ia te ensinar como desviar das trilhas tortas que vão se colar na sola de tuas sandálias (…)”.

As lembranças também estão ali. Para Bia, esse caderno será ainda um apanhado de memórias filtradas sob o olhar delicado do pai: a presença ou ausência de parentes – vivos ou mortos, os galhos e folhas de uma árvore genealógica, episódios que podem ser perder no tempo e até objetos que talvez carreguem uma narrativa afetiva. “(…) em ti mesmo, Bia, está a brasa de todos os que te antecederam, sob a cor de teus cabelos posso notar, como se antigas tinturas, toda a linhagem de fios loiros e negros e ruivos e grisalhos da família (…)”.

Ao recordar o que passou com lirismo e planejar o porvir com harmonia, Carrascoza transforma esse testamento em canção de ninar. Para enfrentar a morte, silêncio certo e onipresente, fica a esperança de que das palavras floresça a vida. “(…) as palavras têm coragem de mostrar o rosto sorridente enquanto o mutismo lhes rasga  as costas a chicotadas (…)”.

Caderno de um Ausente, de João Anzanello Carrascoza. Cosac Naify: 126 páginas, R$ 34,90.

Carrascoza no Põe na Estante

Olha aí, caro leitor! A última dica de leitura do ano vem do escritor brasileiro João Anzanello Carrascoza. Seu último livro é Caderno de um Ausente, publicado no ano passado e que, em breve, vai ter resenha aqui. Ele gravou um vídeo pro Põe na Estante com uma sugestão – é pra já começar 2016 com leitura boa. Corre lá na nossa página do Facebook, que o vídeo já está online. Um feliz ano novo, cheio de bons livros!