O Peso do Pássaro Morto, Aline Bei

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Pense num pássaro morto. Ele não voa mais. Ele não canta mais. Ele não se exibe mais. A morte é bem mais do que um cortar de asas. Como acontece com a protagonista deste livro, que acompanhamos dos 8 aos 52 anos. Pense num pássaro morto. Ele pode ser pisoteado, atropelado, esmagado sem que ninguém se dê conta. Sobram os frangalhos, as vísceras dilaceradas. Como acontece com a menina e depois a mulher que vemos colecionar perda atrás de perda, dor atrás de dor, nas páginas desse livro. Pense num pássaro morto. Quanto ele pesa? Ninguém sabe, ninguém ousa levantar o pássaro morto. Ele pesa nada. Na verdade, ele é invisível. Quantas vezes você parou para olhar um pássaro morto? Ele é visto só de esguelha. É superado como um obstáculo menor no caminho. Como as cicatrizes dessa mulher cuja vida conhecemos nesses versos. Quem, afinal, pensa em um pássaro morto? Quem sequer se lembra que os pássaros morrem? Breve, mas contundente. As palavras são escolhidas com o cuidado de quem faz um cultivo. Nesse caso, um semear de dor e perda, mas regado com a esperança do renascimento – ainda que ela seja uma eterna luta por sobreviver só mais um dia. Daqueles socos no estômago que levam tempo para curar. Isso é o Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, tema do último episódio desta temporada do Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe os jornalistas Chico Felitti e Juliana Dantas.

Pense num pássaro morto. Ele não voa mais. Ele não canta mais. Ele não se exibe mais. A morte é bem mais do que um cortar de asas. Como acontece com a protagonista deste livro, que acompanhamos dos 8 aos 52 anos. Pense num pássaro morto. Ele pode ser pisoteado, atropelado, esmagado sem que ninguém se dê conta. Sobram os frangalhos, as vísceras dilaceradas. Como acontece com a menina e depois a mulher que vemos colecionar perda atrás de perda, dor atrás de dor nas páginas desse livro. Pense num pássaro morto. Quanto ele pesa? Ninguém sabe, ninguém ousa levantar o pássaro morto. Ele pesa nada. Na verdade, ele é invisível. Quantas vezes você parou para olhar um pássaro morto? Ele é visto só de esguelha. É superado como um obstáculo menor no caminho. Como as cicatrizes dessa mulher cuja vida conhecemos nesses versos. Quem, afinal, pensa em um pássaro morto? Quem sequer se lembra que os pássaros morrem? Breve, mas contundente. As palavras são escolhidas com o cuidado de quem faz um cultivo. Nesse caso, um semear de dor e perda, mas regado com a esperança do renascimento – ainda que ela seja uma eterna luta por sobreviver só mais um dia. Daqueles socos no estômago que levam tempo para curar. Isso é o Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, tema do último episódio desta temporada do Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe os jornalistas Chico Felitti e Juliana Dantas.

Este é um podcast apresentado por B9 e produzido por Rádio Guarda-chuva.

IG: @poenaestante E-mail: poenaestante@gmail.com
Arte: Arthur Mayer
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

A Quinta Estação, de N. K. Jemisin

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Três histórias conduzem o leitor por Quietude, um continente que já assistiu à devastação algumas vezes, vinda por meio de terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis… O livro começa com Essun, que encontra o filho morto quando chega em casa e sabe que foi o marido quem o assassinou, antes de fugir com a filha deles. A saga desta mulher em busca do marido e da filha é um dos três pilares do livro e que nos introduz a uma sociedade dividida em castas funcionais e temente à natureza. São dois os grupos essenciais que se apresentam neste universo: os quietos, pessoas comuns, e os orogenes, cujo nome remete à orogenia, processo de formação das montanhas. São homens e mulheres que se conectam com o Pai Terra e têm o poder de controlar movimentos como o das placas tectônicas. Entre os quietos, as pessoas se compartimentam por saberes, força física, fertilidade e outras caraterísticas que podem fazer de cada um mais útil em uma ou outra função. Trançados com a história de Essun, estão os outros dois pilares do romance: o leitor conhece a trajetória de Damaya, uma criança que está em formação no Fulcro, espécie de quartel que treina e prepara os orogenes; e a história de Syenite, jovem orogene formada no Fulcro que, ao lado de um mentor mais bem treinado, recebe uma missão. Aos poucos, o leitor se familiariza com uma terra hostil e cinzenta, que abriga criaturas humanas e fantásticas essencialmente conectadas ao planeta. A Quinta Estação, de N.K. Jemisin, é o primeiro livro da trilogia A Terra Partida e é também o tema deste episodio do Põe na Estante, em que apresentadora Gabriela Mayer recebe os jornalistas Sandro Badaró, apresentador da BandNews FM, e Cláudia Fusco, mestre em literatura com ênfase em ficção científica e fantasia pela Universidade de Liverpool.

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Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva

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Os 19 contos que compõem Um Exu em Nova York olham para questões contemporâneas sob a mediação do encontro entre dois mundos: o físico e o espiritual. Daí Exu, essa entidade mediadora. Que ganha fama de comunicador por conseguir fazer a conexão entre os dois planos, que combina características do material, do carnal, da vida terrena com a elevação e a sublimação sobrehumanas. As breves histórias oníricas do livro são concretas, factíveis, mas são também cheias de elementos mitológicos e simbólicos. Exu está lá, assim como estão outras figuras que nos relembram da diáspora africana. Tudo em um contexto atual, que recorta indicadores e marcadores como raça, gênero, sexualidade e classe. Um Exu em Nova York é o segundo livro de contos da mineira Cidinha da Silva e é o tema deste episódio do Põe na Estante, em que a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e produtora cultural Maitê Freitas e o escritor Lucas Verzola, editor da Revista Lavoura.

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Mutações, de Liv Ullmann

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T2.E5. MutaçõesA atriz e diretora Liv Ullmann compartilha com o leitor suas memórias. Nas páginas deste livro autobiográfico, a norueguesa resgata lembranças da infância, da adolescência, do início da vida nos palcos e nas telas. Conta das inspirações que teve, dos conflitos que enfrentou, dos amores, dos rompimentos, dos inícios e dos fins. Liv Ullmann confidencia ao leitor, em Mutações, seus ciclos de vida – onde começa e onde termina cada um. E, mais do que isso, se dispõe a tirar a máscara e mostrar o que está por trás dela: como ela entra e como ela sai de cada um desses ciclos. Nunca a mesma pessoa. As experiências a transformam, é um caminho sem volta. E ela fica cada vez maior. Como atriz, como mulher, como pessoa. Mutações, de Liv Ullmann, é o tema deste quinto episódio do podcast Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe a radialista e apresentadora Roberta Martinelli e o empreendedor Igor Miranda, autor do Instagram literário @aestanteemmim.

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Resta Um, de Isabela Noronha

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T2.E4. Resta UmA narradora principal desta história é Lúcia, mãe de Amélia. Ou Linha, como os pais a chamavam carinhosamente. Professora da Universidade de São Paulo, matemática brilhante, Lúcia mede o mundo pelos números e é por eles também que conta suas histórias, que acrescenta detalhes, que provoca reflexões. Pelo menos até o desaparecimento da filha, Amélia.

Aliás, muita coisa muda depois que a menina não chega em casa na hora combinada, nem em hora nenhuma. A relação intensa que Lúcia tem com a carreira, por exemplo, que antes parecia roubar o primeiro plano, perde o brilho, a graça e o sentido. Assim como o casamento de Lúcia e José, que entra em descompasso, com cada um tentando lidar com a ausência de uma forma. A busca por Amélia, a linha entre a loucura e a sanidade quando tudo desmorona. É sobre isso Resta Um, da Isabela Noronha, o livro-tema deste quarto episódio da segunda temporada do Põe na Estante.

A obra é narrada em três recortes: Lúcia conta a história no momento do desaparecimento de Amélia, e cerca de seis anos depois do acontecimento; e há uma terceira narrativa, feita por outra personagem, que demoramos a entender quem é. Na conversa sobre Resta Um, a apresentadora Gabriela Mayer recebe a jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima e o produtor editorial Marcelo Nardeli.

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A Filha Perdida, de Elena Ferrante

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O fenômeno Elena Ferrante chega ao podcast do Põe na Estante neste terceiro episódioWhatsApp Image 2019-12-13 at 17.05.10 (1) da temporada que tem como tema Leia Mulheres.

Junho chegou e Leda teve vontade de viajar. A professora universitária pegou os livros e foi para a praia para as férias de verão. A temporada solitária, em uma casa alugada, abre portas para longas reflexões sobre o passado e o presente, a partir de um gatilho de identificação: Leda enxerga em uma ruidosa família napolitana, vizinhos de barraca na praia, muito do que ela já foi e do que ela poderia ser, mas não é. Em especial na imagem de Nina e Elena, mãe e filha, cujas figuras geram certa obsessão na protagonista. De longe e, aos poucos, também de perto, Leda observa, analisa e julga a experiência do feminino e da maternidade nesta outra mulher, que é jovem, esbelta e elegante, destoa da família que a acompanha.

A aproximação entre as duas acontece depois que a menina Elena se perde na praia e Leda se identifica com o desespero de Nina ao procurá-la. A protagonista, que é também quem nos narra esta história, encontra a menina e a partir daí, encontra muitas outras coisas da própria história. A Filha Perdida, de Elena Ferrante, é o tema desta conversa da apresentadora Gabriela Mayer com os jornalistas Adriana Cimino, repórter da TV Cultura, e Marcelo Duarte, autor de O Guia dos Curiosos.

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Tudo Pode Ser Roubado, de Giovana Madalosso

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Chegamos ao segundo episódio da segunda temporada do podcast do Põe na Estante, cujo tema é Leia Mulheres, com uma autora brasileira contemporânea.

WhatsApp Image 2019-12-13 at 17.05.10A protagonista deste livro é uma garçonete que trabalha em um restaurante chique da região da Avenida Paulista, marco da cidade de São Paulo. Ela aproveita a abertura com clientes para estender o vínculo com eles para além da mesa. Vai parar na casa de homens e mulheres que frequentam o lugar e, portanto, são cheios da grana, e aproveita para roubar. Roupas de grife, sapatos, acessórios.

Até que Biel aparece. Um vigarista de carreira que faz uma porposta: que ela aproveite o charme e o know-how para seduzir um professor universitário fechado e arredio a tentativas de aproximação para roubar O Guarani, de José de Alencar. Isso mesmo, o livro. Mas não qualquer um. Uma primeira edição, de 1857, valiosíssima.

Tudo Pode ser Roubado é o primeiro romance de Giovana Madalosso e é também o tema deste episódio do Põe na Estante, no qual a apresentadora Gabriela Mayer recebe os jornalistas Andresa Boni, apresentadora da TV Cultura, e Rodrigo Valente, assessor de imprensa e autor do Instagram @objetolivro.

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O Sol é Para Todos, de Harper Lee

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A estreia da segunda temporada do podcast do Põe na Estante tem como tema o livro OWhatsApp Image 2019-12-13 at 17.05.09 Sol é Para Todos, da americana Harper Lee. Nesta temporada, o tema é Leia Mulheres.

Scout é uma menina que ainda nem completou nove anos e vive pra cima e para baixo no fictício condado de Maycomb, no Alabama, com o irmão, Jem, e o amigo Dill, que passa as férias de verão na região. É ela quem narra esta história que começa com uma brincadeira de crianças e vira caso de adultos. Os três são obcecados pela história da família Radley, que vive em uma casa vizinha à dos irmãos. Eles fantasiam com o dia em que vão encontrar o filho da família, Boo Radley, que há vinte e cinco anos não sai de casa. Inventam artimanhas para tentar atrai-lo para fora, encenam os papeis de quem carrega aquele sobrenome e criam narrativas sobre o que poderia ter acontecido. Mas as fantasias das crianças com os Radley são só uma introdução a uma pequena cidade americana em um estado do sul dos Estados Unidos, que vive uma marcada segregação racial. Scout e Jem são crianças brancas, filhos de Atticus, um advogado que quer cruzar as linhas da divisão entre brancos e negros.

Um julgamento vai marcar a vida da família e vai desenhar como se dão as relações em um estado em que o sobrenome que cada um carrega pesa muito, mas a cor da pele pesa imensamente mais. Atticus assume a defesa de um homem negro acusado de estupro por uma mulher branca, a despeito dos protestos da maioria dos vizinhos, que o consideram um traidor por fazê-lo. O ano é 1935, pouco depois da crise de 29, mas os fantasmas que mais assombram Maycomb são ainda de uma ruptura anterior, a Guerra de Secessão, que terminou 70 anos antes. O sol é para todos, de Harper Lee, é o tema do episódio de estreia desta segunda temporada e, para falar sobre ele, a apresentadora Gabriela Mayer recebe Cris Bartis, host do Mamilos Podcast, e Pedro Pacífico, o Bookster.

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Podcast – Mamãe & Eu & Mamãe, de Maya Angelou

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Mamãe & Eu & Mamãe é o livro tema deste sétimo e penúltimo episódio da primeira temporada do podcast do Põe na Estante. A obra é uma das autobiografias de Maya Angelou. A escritora, cineasta e ativista americana nos leva à sua infância e à sua adolescência, para que conheçamos desde o princípio a relação que ela criou com duas mães – a biológica e a avó paterna, que a criou na primeira infância, depois que os pais dela se separaram. Nem o pai, nem a mãe se sentia capazes de criar dois filhos – Maya e o irmão que ela tanto admira, Bailey – e os enviaram para Stamps, Arkansas, onde vivia a avó. Quando Maya tem 13 anos, ela e o irmão precisam voltar a viver com a mãe, em St. Louis, no Missouri. Em meio ao retorno a uma cidade grande, em um contexto de segregação racial, a garota tenta superar o abandono para reconstruir o vínculo com a mãe – mulher que ela descreve como símbolo de elegância, beleza, força, assertividade e determinação. Mamãe & Eu & Mamãe foi escrito quando Maya Angelou já tinha oitenta anos e sobre ele a apresentadora Gabriela Mayer conversa com a produtora cultural Ana Carolina Campos e com a escritora Aline Bei.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – O Irmão Alemão, de Chico Buarque

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O quarto episódio do Põe na Estante fala sobre o quinto romance de Chico Buarque, O Irmão Alemão. Francisco está à procura de um irmão que ele descobriu por acaso. Sérgio, que leva o mesmo nome do pai, foi fruto de um romance vivido em Berlim, antes do casamento do intelectual patriarca da família Hollander. A mãe, uma italiana de personalidade forte e que remete a um extremo cuidado familiar, não fala do assunto. Aliás, ninguém fala. A busca pelo irmão alemão, uma história com base na realidade e que ganhou enredo ficcional neste livro, é rodeada de silêncios. O narrador parte de cartas e correspondências oficiais para especular sobre o que teria sido deste irmão, que rumo ele teria seguido. Ele imagina coisas terríveis, pensando em como teria sido a infância de Sergio na Alemanha nazista. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar toma forma, endurece e o irmão que ele conhece e admira, carinhosamente chamado de Mimmo, desaparece. À sombra dos irmãos, Francisco nos guia por suas histórias, seus afetos e seus livros. O Irmão Alemão foi lançado em 2014 pela Companhia das Letras e é o livro deste episódio do Põe na Estante, em que conversei com a jornalista Aiana Freitas e com o jornalista e escritor Tomás Chiaverini.

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Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell