Breve Alerta

Promoção Cia. das LetrasUm curto – e urgente! – lembrete aos leitores que estão de olho em algum título novo para a estante: hoje, amanhã e quinta-feira (23, 24 e 25 de abril), a Companhia das Letras terá 300 livros com 50% de desconto. A promoção vale em compras pelos sites ou nas lojas físicas das livrarias. A lista completa dos livros pela metade do preço e das redes que participam está no site da editora.

E uma dica gratuita: o jornal espanhol El País dá um presente a seus leitores. O periódico disponibilizou gratuitamente um e-book, em espanhol, com entrevistas com 37 escritores de língua espanhola que já receberam o Prêmio Cervantes. Latino-americanos como Mario Vargas Llosa, Adolfo Bioy Casares e Alejo Carpentier, e espanhóis como Luis Rosales, José Hierro e Ana María Matute estão nas páginas da publicação.

O Boom Literário de 1962

Comecei hoje uma releitura de A Cidade e os Cachorros, de Mario Vargas Llosa, inspirada pelos cinquenta anos do que foi considerado um boom na literatura latino-americana. Um Congresso de Intelectuais, no Chile, inaugurou um ano farto para as letras: 1962. Em uma análise mais minuciosa, podemos destacar até vinte autores que despontaram nesse momento e enriqueceram a literatura – principalmente em língua espanhola. A agitação social e política que a região vivia – vários países conviviam com graves problemas relacionados à pobreza; outros (ou os mesmos) enfrentavam ditaduras militares; e havia ainda as revoluções, como a Cubana – deixaram de ser o único assunto exportado pela América Latina.

boom literário el país

Foto publicada no jornal El País: da esquerda para a direita, Gabriel García Márquez, Jorge Edwards, Mario Vargas Llosa, José Donoso e Ricardo Muñoz Suay, em 1974.

Os escritores considerados os expoentes do boom já preparavam o terreno logo no início da década de 1960. A maioria deles já tinha publicado obras, mas elas tinham uma difusão inexpressiva e sequer esbarravam na repercussão internacional. Em 62, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes, Alejo Carpentier, Mario Vargas Llosa, Juan Carlos Onetti, José Donoso e tantos outros ganharam o mundo. Eles publicaram livros que voltaram os olhos norte-americanos e europeus para cá. Mas não parou por aí. Esse foi só o anúncio de que os próximos anos seriam férteis, a abertura de portas para quem veio logo em seguida, como Cabrera Infante, Juan Rulfo, Ernesto Sábato e Adolfo Bioy Casares. O jornal espanhol El País – que, por sinal, vem fazendo uma cobertura fabulosa do aniversário de 50 anos do boom – destacou que o período foi tão frutífero que “se entre 1918 e 1961 foram publicadas meia centena de obras importantes, entre 1962 e 1970 apareceram quase quarenta livros inesquecíveis e escritores que passaram para a história da literatura.” Em apenas cinco anos – entre 1962 e 1967 – foram publicados O Jogo da Amarelinha,  Cem Anos de SolidãoA Morte de Artemio CruzA Cidade e os Cachorros e várias outras obras dignas de se pôr na estante.

Alguns consideram que o boom só aconteceu porque o mercado editorial dos Estados Unidos estava propício – queria explorar algo novo. Mas, independente dos motivos, são inegáveis as heranças do boom e a influência desse momento literário em autores contemporâneos americanos e europeus. Vou usar as palavras de Gay Talese, que escreveu que “os escritores do boom eram grandes narradores e artistas do fictício, e as histórias que contaram através de sua ficção, não só iluminaram e ampliaram nosso sentido da realidade, mas também foram uma inspiração para nós.” São nomes que garantem uma estante cheia de boas histórias, com personagens muito parecidos com cada um de nós.