Apostas para 2014

Depois de alguns dias de férias, o Põe na Estante está de volta e começa este post desejando a todos um ano de boas leituras e de estante cheia!estante de livros imagem

Os jornais terminaram o ano passado cheios de apostas para 2014, inclusive no universo literário. Há os apocalípticos, que já alguns anos anunciam o fim do livro de papel, e os que se limitam a antecipar gêneros ou autores que devem receber destaque, além de tendências formais e de mercado para livros digitais ou analógicos. Aqui vão algumas promessas que merecem destaque, especulações e questionamentos.

*Os romances policias estão a todo vapor. Em 2013, algumas editoras já aumentaram as fichas de aposta no gênero, inclusive com a criação de selos exclusivamente para a publicação desse tipo de livros. O destaque policial vem dos países nórdicos, de onde têm saído grandes best-sellers; este ano, o Brasil deve receber um festival de filmes e livros policiais produzidos na região. Vamos ficar de olho na agência de notícias Vikings of Brazil, que divulga a literatura nórdica por aqui e a brasileira por lá, para saber os detalhes desse evento. Uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo sobre o assunto (aqui) adianta alguns dos lançamentos policiais previstos para os próximos meses.

*Depois de um ano em que o Brasil foi destaque em eventos internacionais, como a Feira de Frankfurt, autores tupiniquins esperam que a divulgação da literatura nacional estimule a exportação de livros. A esperança é de que as traduções de romances brasileiros não tenham sido apenas um esforço para expor os títulos no evento, mas a abertura de uma promissora porta no mercado editorial internacional.
p.s.: Este ano, a homenageada da Feira de Frankfurt é a Finlândia. Mais um ponto para os nórdicos em 2014!

*O mercado de e-books deve enfrentar novos desafios, entre eles aprimorar a publicação de livros ilustrados, que fizeram pouco sucesso na versão para as telas. Além disso, os livros digitais precisarão reconquistar mais adeptos (ou procurar novos públicos-alvo), já que em 2013 o lucro das editoras com os e-books, crescente já há alguns anos, estagnou pela primeira vez. Uma preocupação a mais para os editores, que já estão assustados com a velocidade com que a Amazon está engolindo o mercado.

e-book na estante*Ainda sobre e-books, eis a aposta do mercado para 2014: o modelo de assinatura/ aluguel de livros digitais, uma espécie de Netflix da literatura. A ideia surgiu entre muitas dúvidas sobre como seria feita a cobrança, como os autores receberiam os direitos autorais etc. Mas algumas empresas já colocaram a experiência online em prática. A Oyster, por exemplo, oferece uma biblioteca de cem mil títulos por uma assinatura de US$ 9,95 por mês (leia quantos puder!); a Entitle oferece pacotes de assinatura e vende os e-books indivualmente, para aqueles que preferem ter o livro; e o Scribd oferece leituras ilimitadas por US$ 8,99 ao mês. Será que a ideia vai pegar por aqui?

*Seguimos no universo digital, mas agora nas redes sociais. Uma passada rápida por uma aposta que não é exatamente de 2014, porque já está firme e forte em vários países, mas pode ganhar espaço entre o público brasileiro. O que você acha das redes sociais de leitores? Com troca de informações sobre livros, autores, editoras… A Orelha de Livro é uma nova página nacional desse tipo (antes, como bem lembrou o leitor Paulo Laubé, veio o Skoob). Vocês conhecem outras?

*E o Põe na Estante termina essa lista de apostas para 2014 com o que, na verdade, é mais um pedido. Que se repitam insistentemente e se espalhem indiscriminadamente iniciativas como a Restaurant Book, que acontece até dia 31 de janeiro aqui na cidade de São Paulo. Restaurantes, bares e lanchonetes oferecem 10% de desconto para quem doar um livro. Os títulos arrecadados seguem para escolas e bibliotecas públicas. A lista dos lugares que participam da campanha você encontra aqui.

Bom 2014!

BiblioTech

As estantes virtuais vem ganhando força. Agora com direito a empréstimos. A cidade de San Antonio, no Texas, Estados Unidos, vai ganhar uma biblioteca sem livros. No lugar das páginas de papel, os leitores poderão pegar empréstimos de e-readers. Cadastrados, para evitar roubos, poderão ficar com o leitor digital por até duas semanas. No local, também haverá computadores, mas nada de papel. A ideia não é substituir as bibliotecas tradicionais; é ampliar as opcões para quem quer uma companhia literária.

O projeto foi sugerido pelo juiz Nelson Wolff, fã das letras e com uma extensa coleção particular de livros físicos. Para um jornal local de San Antonio, Wolff disse que pesquisou em muitos lugares e parece que ninguém nunca fez isso antes. Algumas bibliotecas dos Estados Unidos e de outros países (do Brasil, inclusive) já oferecem os leitores de e-books como complemento, mas sempre tendo os livros tradicionais, em papel, como foco. Em alguns casos, os e-readers nem podem ser emprestados, a leitura deve ser feita no espaço da biblioteca.

Ainda não se sabe se a ideia vai pegar, se os leitores vão aprovar e se estão de fato abertos para mergulhar em leituras apenas digitais. De qualquer forma, a BiblioTech, como será chamada, virou notícia e algumas cidades vizinhas estão de olho na ideia.

Paragraph ShortsAproveitando o ensejo virtual, deixo a dica do amigo Luis Marcondes, que sugere uma revista para IPad com contos selecionados. A equipe da Paragraph Shorts seleciona toda semana sete histórias publicadas em revistas como The New Yorker e The Paris Review e adapta o conteúdo para os tablets, incluindo recursos como vídeos e opções de áudio, além da integração com atualizações dos autores nas redes sociais.

Livros na Loja do Google

Google Play

Novidade para ajudar a rechear as estantes virtuais. Cada vez mais títulos literários estarão disponíveis online.

A Google Play, loja do Google, do Brasil já começou a vender livros e filmes. A empresa ainda não especificou quantos títulos estão à mão, mas já confirmou que nomes brasileiros contemporâneos e autores clássicos nacionais serão vendidos. Depois da compra, o leitor poderá acessar os textos em tablets, e-readers, telefones e na web.

Editoras como a Melhoramentos, Objetiva, Record, Zahar, Rocco, Planeta, Sextante, LPM, entre outras, já têm livros em exibição na Google Play. Quem deve se juntar à lista em breve é a Cia. das Letras, que tem investido no universo online. No fim de novembro, a editora anunciou um acordo com a Amazon, para disponibilizar os títulos da Cia. para os usuários do Kindle.

Lembrando que, na semana, passada, a Amazon lançou a versão em português de seu site. Além dos livros à venda, a página também disponibiliza o disponibiliza o leitor de e-books Kindle.