Podcast – O Irmão Alemão, de Chico Buarque

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O quarto episódio do Põe na Estante fala sobre o quinto romance de Chico Buarque, O Irmão Alemão. Francisco está à procura de um irmão que ele descobriu por acaso. Sérgio, que leva o mesmo nome do pai, foi fruto de um romance vivido em Berlim, antes do casamento do intelectual patriarca da família Hollander. A mãe, uma italiana de personalidade forte e que remete a um extremo cuidado familiar, não fala do assunto. Aliás, ninguém fala. A busca pelo irmão alemão, uma história com base na realidade e que ganhou enredo ficcional neste livro, é rodeada de silêncios. O narrador parte de cartas e correspondências oficiais para especular sobre o que teria sido deste irmão, que rumo ele teria seguido. Ele imagina coisas terríveis, pensando em como teria sido a infância de Sergio na Alemanha nazista. Enquanto isso, no Brasil, a ditadura militar toma forma, endurece e o irmão que ele conhece e admira, carinhosamente chamado de Mimmo, desaparece. À sombra dos irmãos, Francisco nos guia por suas histórias, seus afetos e seus livros. O Irmão Alemão foi lançado em 2014 pela Companhia das Letras e é o livro deste episódio do Põe na Estante, em que conversei com a jornalista Aiana Freitas e com o jornalista e escritor Tomás Chiaverini.

IG: @poenaestante
E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

 

Podcast – A Criança no Tempo, de Ian McEwan

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Chegamos ao terceiro episódio do Põe na Estante com o terceiro romance do premiado escritor britânico Ian McEwan. A Criança no Tempo tem o escritor de livros infantis Stephen Lewis como protagonista. Ele nunca pensou que uma ida ao supermercado pudesse transformar a vida, mas é o que acontece quando a filha dele, Kate, uma menina de três anos de idade, desaparece completamente. As portas do estabelecimento são fechadas às pressas, uma busca intensa é feita no entorno, mas a garota some completamente. Quando ele dá a notícia à esposa, Julie, o leitor começa a mergulhar na dor e no desamparo daquela família agora com um espaço vazio. Stephen e Julie vão se isolando, ele na tentativa de encontrar a filha a qualquer custo, fazendo as próprias buscas, batendo de porta em porta; ela em uma depressão que a deixa apática, sentada na poltrona da casa, até conseguir reagir. O casamento desenvolve fissuras profundas, os silêncios vão tomando conta e a perda nunca é mencionada para evitar que ela fique concreta demais. A Criança no Tempo foi publicado em 1987 e relançado em 2018 pela Companhia das Letras, por ocasião dos 70 anos do autor. É ele o tema deste episódio, em que eu recebo os jornalistas Thaís Manarini e Renan Sukevicius.

IG: @poenaestante
E-mail: poenaestante@gmail.com

Arte: Renan Sukevicius
Trilha: Getz me to Brazil, Doug Maxwell

Carta de amor aos livros

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Ainda repercute o apelo feito pelo editor da Companhia das Letras, Luis Schwarcz, para que as pessoas divulguem livros, falem sobre livros e deem livros de presente. Enquanto muita gente embarcou na campanha, com hashtag e tudo (#dêlivrosdepresente e variações), também teve gente que aproveitou o gancho para criticar a postura das grandes editoras.

IMG_5712Na entrevista que deu à Folha de S.Paulo, o presidente do grupo editorial disse terem sido poucas as mensagens contrárias à carta, mas admite ter recebido críticas – por não prestigiar livrarias pequenas, por ter sido generoso demais no texto com as redes de livrarias e pela ganância das grandes editoras.

De qualquer forma, o texto levanta questões importantes, como os desafios que editoras e livrarias têm pela frente para se manterem vivas. Nós, como leitores, podemos contribuir com ideias, com reflexões e, claro, com leituras. Sigamos!

Aliás, o que você está lendo?

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Para quem perdeu, reproduzo abaixo, na íntegra, a carta do editor:

Cartas de amor aos livros

O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso. Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo. O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo. Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado.

As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos— gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.

Na Companhia das Letras sentimos tudo isto na pele, já que as maiores editoras são, naturalmente, as grandes credoras das livrarias, e, nesse sentido, foram muito prejudicadas financeiramente. Mas temos como superar a crise: os sócios dessas editoras têm capacidade financeira pessoal de investir em suas empresas, e muitos de nós não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores.

Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos e contribuíam com sua energia para o que construímos no nosso dia a dia. A editora que sempre foi capaz de entender as pessoas em sua diversidade, olhar para o melhor em cada um e apostar mais no sentimento de harmonia comum que na mensuração da produtividade individual, teve que medir de maneira diversa seus custos, ou simplesmente cortar despesas. Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disse que não tinha como garantir.

Sem querer julgar publicamente erros de terceiros, mas disposto a uma honesta autocrítica da categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e autores, procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. As redes de solidariedade que se formaram, de lado a lado, durante a campanha eleitoral talvez sejam um bom exemplo do que se pode fazer pelo livro hoje. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amor aos livros.

Aos que, como eu, têm no afeto aos livros sua razão de viver, peço que espalhem mensagens; que espalhem o desejo de comprar livros neste final de ano, livros dos seus autores preferidos, de novos escritores que queiram descobrir, livros comprados em livrarias que sobrevivem heroicamente à crise, cumprindo com seus compromissos, e também nas livrarias que estão em dificuldades, mas que precisam de nossa ajuda para se reerguer. Divulguem livros com especialíssima atenção ao editor pequeno que precisa da venda imediata para continuar existindo, pensem no editor humanista que defende a diversidade, não só entre raças, gêneros, credos e ideais, mas também a diversidade entre os livros de ambição comercial discreta e os de ambição de venda mais ampla. Todos os tipos de livro precisam sobreviver. Pensem em como será nossa vida sem os livros minoritários, não só no número de exemplares, mas nas causas que defendem, tão importantes quanto os de larga divulgação. Pensem nos editores que, com poucos recursos, continuam neste ramo que exige tanto de nós e que podem não estar conosco em breve. Cada editora e livraria que fechar suas portas fechará múltiplas outras em nossa vida intelectual e afetiva.

Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro.

Clube do Livro – Episódio 3: “O Sol na Cabeça”

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O terceiro episódio do Clube do Livro do Põe na Estante fala sobre a obra de estreia do carioca Geovani Martins, O Sol na Cabeça. Os treze contos que ocupam as 120 páginas editadas pela Companhia das Letras já ganharam tradução em pelo menos oito idiomas. A jornalista Gabriela Forte e o economista Luiz Felipe Fustaino ajudam a pensar os porquês de tamanho sucesso. Corre pra ver!

Clube do Livro – Episódio 2: “Um Rio Chamado Tempo (…)”

O segundo episódio do Clube do Livro está muito especial! O livro da vez é Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, do escritor moçambicano Mia Couto. E ele gravou um depoimento para o Põe na Estante contando um pouquinho sobre a relação dele com essa obra. A jornalista Belisa Rotondi e o jornalista Renan Sukevicius participam neste mês. Vem! :)

Breve Alerta

Promoção Cia. das LetrasUm curto – e urgente! – lembrete aos leitores que estão de olho em algum título novo para a estante: hoje, amanhã e quinta-feira (23, 24 e 25 de abril), a Companhia das Letras terá 300 livros com 50% de desconto. A promoção vale em compras pelos sites ou nas lojas físicas das livrarias. A lista completa dos livros pela metade do preço e das redes que participam está no site da editora.

E uma dica gratuita: o jornal espanhol El País dá um presente a seus leitores. O periódico disponibilizou gratuitamente um e-book, em espanhol, com entrevistas com 37 escritores de língua espanhola que já receberam o Prêmio Cervantes. Latino-americanos como Mario Vargas Llosa, Adolfo Bioy Casares e Alejo Carpentier, e espanhóis como Luis Rosales, José Hierro e Ana María Matute estão nas páginas da publicação.

Eventos Literários

A agenda literária está cheia, com programas para os próximos dias e para os próximos meses. Vamos pela ordem cronológica para facilitar as marcações no calendário.

af_cartaz_coetzee*Quem está em Porto Alegre pode tentar encaixar no roteiro de quinta-feira (15/04) uma conferência sobre ficção e censura. Quem vai ministrá-la é o sul-africano Nobel de literatura J. M. Coetzee. Os ingressos devem ser adquiridos no Salão de Atos da UFRGS. O encontro é só uma pitada do Litercultura, Festival Literário do Mercosul, que será realizado em agosto. O autor também estará em Curitiba na segunda-feira (15/04), mas os ingressos para essa palestra, que será gratuita, infelizmente estão esgotados.
Serviço:
Litercultura – Lendo Coetzee
Dia 18/04, às 19h30.
Salão de Atos da UFRGS – Av. Paulo Gama, 110 – Campus Central
Ingressos R$ 50 e R$ 25 (meia entrada/ estudantes).
Informações: (51) 3308-3933

*No Café com Poesia do dia 27 de abril, a Companhia das Letras promove um encontro com Paulo Leminski. Os leitores também terão a presença da filha dele, também escritora, Estrela Leminski.
Serviço:
Café com poesia – especial Paulo Leminski
Dia 27/04, das 10h30 às 12h.
Livraria Cultura do Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2.073
Gratuito, vagas limitadas.

*Em agosto, acontece a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A 15ª edição do evento tem como tema Leituras jovens do mundo. As mesas de debates são voltadas para profissionais da educação (professores, funcionários de escolas, contadores de histórias etc), mas interessa leitores em geral. Autores e estudiosos da literatura nacional e internacional farão parte da Jornada. Vale dar uma olhadinha também nos eventos paralelos, como a Jornadinha Nacional de Literatura, o Encontro Nacional de Escritores Gaúchos e o Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil.
Serviço:
Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo
De 27 a 31 de agosto.
Campus da Universidade Federal de Passo Fundo.
Inscrições de R$ 80 a R$ 190, vagas limitadas.

*Pra terminar, um adiantamento do que vem por aí em setembro. A Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) vai promover a 1ª Pauliceia Literária, um evento que abordará literatura brasileira e extrangeira. A programação é interessante: inclui mesas literárias, grupos de leitura e oficinas que tentam aproximar o Direito da Literatura (como uma mesa que tem como tema “Shakespeare e a Lei”), mas não só. Alguns debates vão discutir temas variados da ficção ou homenagear autores, como Lygia Fagundes Telles. Estão confirmados nomes como Michel Laub, Laurentino Gomes e Valter Hugo Mae. A programação completa será divulgada mais perto do evento.
Serviço:
Pauliceia Literária
De 19 a 22 de setembro.
Salas da AASP e outros locais da capital paulista.
Os ingressos serão vendidos em data mais próxima do evento, com preços ainda não definidos.