Perspectivas Literárias para 2013

O ano que vem promete ser bom para o Brasil – pelo menos no que diz respeito às letras. Os autores nacionais ganham terreno e devem colher frutos semeados este ano e agregar mais leitores com as atividades que hastearão a bandeira verde e amarela no ano que vem.

A começar pcropped-08122012055.jpgelos resultados esperados, as chances de que novos autores despontem no mercado editorial internacional são grandes. A revista britânica Granta publicou em 2012, pela primeira vez, uma lista com os melhores jovens escritores brasileiros. São vinte autores, com menos de quarenta anos, avaliados como promessas literárias. Podem levar o nome do Brasil para as estantes do além-mar. Das listas da Granta, saíram nomes hoje celebrados, como Ian McEwan, que já figurou em uma das edições de melhores jovens autores britânicos. Na lista brasileira está, por exemplo, Daniel Galera, que teve os direitos de seus livros (só romances, são cinco publicados) vendidos para Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália, Argentina, Portugal, Romênia e Holanda.

João Paulo Cuenca e Michel Laub, outros autores incluídos na publicação britânica, estão entre os escritores que apresentarão a situação literária do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt de 2013. O Brasil, aliás, será o convidado de honra do evento, homenageado em um circuito de atividades e exposições. Nove autores representarão o país na Alemanha e um programa de bolsas de estudos para tradutores vai permitir que os profissionais vivam durante três meses aqui no país, para conhecer nossa cultura. Mais chances de livros tupiniquins serem espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Para completar, em 2013 também deve ganhar repercussão a Machado de Assis Magazine, uma revista de literatura brasileira em inglês e espanhol, lançada em outubro deste ano na Feira de Frankfurt. As edições impressas da publicação serão semestrais e as digitais, trimestrais. Como aconteceu no boom latino-americano da década de 1960, a atuação política e econômica de um país amplia os olhares estrangeiros, permitindo que as atenções internacionais se voltem também para a cultura. Um potencial crescimento do Brasil pode se estender à literatura e o primeiro passo já foi dado: as portas foram abertas.

O Brasil no Boom Latino-americano

A maioria  dos críticos não inclui os autores brasileiros quando o assunto é o boom literário da década de 1960 – com destaque para o prodigioso ano de 1962. Mas considerando algumas características que marcaram esse momento das letras em língua espanhola, talvez devêssemos dar ouvidos às análises que citam nosso país como um fruto dessa explosão de publicações.

Entre as marcas das narrativas dessa década, estão as inovações e a experimentação no que diz respeito à forma e à linguagem. Além disso, os romances começaram a extrapolar o realismo que era característico nas produções latino-americanas, e passaram a criar personagens que se consagraram. Nas páginas dos livros, aqueles protagonistas podiam ter características regionais, mas, retratados em sua humanidade, viravam universais.

Guimarães Rosa

“O sertão é do tamanho do mundo” – Guimarães Rosa.

Não há nenhuma característica acima que não se aplique a João Guimarães Rosa. É inegável o que o autor mineiro criou em termos de linguagem. Sem contar que um de seus personagens mais marcantes – ou o mais – Riobaldo, de Grande Sertão: Veredas (de 1956), é a descrição perfeita do personagem regional universal. Não à toa descobrimos escrito ali que “o sertão é do tamanho do mundo.” O jagunço do sertão é também filósofo: pensa o mundo, o homem, a vida, a realidade, Deus.

Em 1962, Guimarães Rosa publicou Primeiras Estórias e é verdade que não foi uma obra de projeção internacional. Mas, por mais que nenhum de nossos escritores tenha virado expoente mundial durante o boom ou imediatamente após esse fenômeno de obras, a explosão latino-americana abriu as portas para que a literatura do Brasil chegasse a terras distantes. Ao virar os olhos para a América Latina, norte-americanos e europeus descobriram também nomes como Guimarães Rosa e Jorge Amado – citados aqui e acolá como autores que decolaram após 1962. Sem contar Clarice Lispector, pincelada por alguns poucos críticos.

Jorge Amado também tem uma lista de semelhanças com os autores de língua espanhola de sua geração. Como muitos, ele foi comunista e tinha uma motivação política e social para escrever – o que não significa que suas obras fossem um tratado sobre a concentração de renda ou as desigualdades sociais. O baiano, autor de Gabriela, cravo e canela escolheu o mesmo recurso usado pelos autores do boom: retratou as crenças, as regionalidades, as tradições e as marcas de seus conterrâneos para enfatizar o potencial humano e cultural da região. Se o boom foi uma explosão de vida artística e criativa, valorizando uma região do mundo, os brasileiros estão preparados para incrementar essa lista de autores.

Livros na Loja do Google

Google Play

Novidade para ajudar a rechear as estantes virtuais. Cada vez mais títulos literários estarão disponíveis online.

A Google Play, loja do Google, do Brasil já começou a vender livros e filmes. A empresa ainda não especificou quantos títulos estão à mão, mas já confirmou que nomes brasileiros contemporâneos e autores clássicos nacionais serão vendidos. Depois da compra, o leitor poderá acessar os textos em tablets, e-readers, telefones e na web.

Editoras como a Melhoramentos, Objetiva, Record, Zahar, Rocco, Planeta, Sextante, LPM, entre outras, já têm livros em exibição na Google Play. Quem deve se juntar à lista em breve é a Cia. das Letras, que tem investido no universo online. No fim de novembro, a editora anunciou um acordo com a Amazon, para disponibilizar os títulos da Cia. para os usuários do Kindle.

Lembrando que, na semana, passada, a Amazon lançou a versão em português de seu site. Além dos livros à venda, a página também disponibiliza o disponibiliza o leitor de e-books Kindle.