A Vida do Livreiro A.J. Fikry

A vida do livreiro A.J. FikryÉ um livro sobre o amor pelos livros. Sobre ler livros. Sobre vender livros. E sobre ser livreiro, em tempos em que quem vende livros costuma ser um vendedor. É uma obra carregada de ingenuidade, o que imprime a ela certo tom adolescente. A americana Gabrielle Zevin usa de velhos clichês para construir o clichê maior: um livro que fala de livros – sem muita originalidade.

O livreiro que dá nome à obra é um homem isolado e ranzinza, que escolhe a dedo o que é posto nas estantes de sua livraria, na pequena Alice Island. Apesar da significativa queda nas vendas e nas dificuldades financeiras para manter o negócio funcionando, ele rejeita best-sellers e filtra o que considera literatura de qualidade. “(…) A.J. não gosta muito de escritores. Acha-os desleixados, narcisistas, bobos e, em geral, desagradáveis. Tenta evitar conhecer quem escreveu os livros que ama por temer deixar de amá-los.”

A.J. Fikry está fechado no próprio mundo desde que perdeu a esposa em um acidente. Entre seus poucos amigos, está um policial que gosta de romances policiais e funda um clube do livro. Alguns acontecimentos começam a indicar mudanças na vida do protagonista. Primeiro, a chegada de Amelia, a representante de vendas de uma editora, que insiste em combater as rabujices do livreiro. Depois, o roubo da edição rara de um livro, o primeiro escrito por Edgar Allan Poe, ainda no anonimato, e com tiragem de apenas 50 cópias. Por fim, a entrega de um pacote, deixado na livraria, que coloca o protagonista em um dilema. “A.J. acende a luz de novo. Volta para a entrada e depois percorre todos os corredores. Chega ao último, a seção um tanto vazia de juvenis e infantis. No chão (…).”

A autora escreve fácil e a narrativa vai se construindo com alguma delicadeza, é verdade, mas a partir de elementos bastante previsíveis e diálogos muitas vezes dispensáveis. Os embaraços da vida em uma pequena comunidade em que todos se conhecem fazem as decisões de A.J. Fikry mais difíceis. E, no fim das contas (talvez não haja clichê maior), só o amor – seja por quem ou pelo que – tem a capacidade de transformar.

A edição e a tradução deixam bastante a desejar. Além de erros ortográficos e de concordância, algumas palavras parecem deslocadas, outras repetidas, e algumas frases, com sentido duvidoso. É um livro pra você que quer, rápida e despretensiosamente, ler algo fofo. Não é um livro pra você que acha que fofo não é um adjetivo suficiente para um livro.

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