A dor e a delícia de pôr na estante

Põe na Estante tirou uma espécie de férias forçadas, por conta de uma reforma que me exigiu tempo quase integral (quando eu não estava trabalhando, estava me dedicando à sujeira e à bagunça que ela gerou). Meus livros passaram uma temporada encaixotados, mas agora estão de volta ao lugar a que pertencem: a estante. E melhor: uma estante nova.

É aí que entra o post de hoje, nascido por sugestão de uma amiga que ficou curiosa pra saber quais tinham sido meus critérios para organizar todas as obras nas prateleiras. Dediquei uma semana inteira a essa tarefa, que se revelou um pouquinho mais difícil do que eu imaginava, mas deliciosa.

Primeira coisa: aquele índice para catálogo sistemático, sabe? É aquela categoria já indicada pela editora no verso da primeira folha do livro, em que estão também as informações bibliográficas. Pois bem. Ele não ajuda muito em bibliotecas domésticas. As categorias são muito específicas, não é o caso de segmentar tanto assim (a menos que você tenha dezenas de milhares de livros, aí talvez seja o caso – eu ainda não tenho).

Eu já tinha um critério definido. No caso da obras de ficção, os livros estariam separados por autor; os autores agrupados de acordo com a nacionalidade; as nacionalidades aproximadas por idioma. Mas eu não tinha pensado nas pequenas decisões (elas que complicaram as coisas). Quando tem vários autores da mesma nacionalidade, como você organiza? Dos mais antigos para os contemporâneos, em ordem alfabética ou dos seus preferidos para os seus preteridos? Acabei optando pela ordem cronológica para facilitar as coisas, mas as vezes eu paro pra olhar a estante e acabou mudando um ou outro de lugar, por achar que ele ficaria melhor ao lado de algum colega diferente.

Em alguns casos, esse parâmetro não me serviu. Achei que o gênero superava o idioma e merecia uma categoria à parte. Mesmo misturando autores, nacionalidades etc, os livros policiais e de mistério, por exemplo, ficaram todos juntos; os grandes clássicos da literatura mundial também (curadoria minha, que inclui aqueles considerados unanimidades, se é que isso existe).

A não-ficção também foi agrupada de acordo com categorias que parecem uma extensa grade curricular: ciências, filosofia, antropologia, economia, política, história, biografias (que ficam perto de história, porque – né? – tem a ver), jornalismo e por aí vai.

Por último, os infanto-juvenis. Escolhi organizá-los em ordem de idade – as obras para crianças menores estão na frente, aquelas para adolescentes, no fundo. Detalhe: todos estão no andar mais baixo da estante, que é pros pequenos alcançarem.

No fim das contas (pelo menos por enquanto), ficou assim.

No fim das contas (pelo menos por enquanto), ficou assim.

As vezes ainda repenso uma ou outra seção, mas tirar os livros da estante e depois arrumar tudo de novo acaba sendo uma diversão danada.

E você, arruma como a sua estante?

ps: a estante ficou pequena demais e algumas categorias tiveram que ir para dentro de um armário =/

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14 respostas em “A dor e a delícia de pôr na estante

  1. Nossa! Ficou beeem legal! Eu li há alguns anos, um texto bem bacana que dizia que os livros precisam do caos e da poeira, como se esse fosse o ambiente natural deles e não de organização e limpeza. Mas pensando bem, acho que era só uma desculpa para à preguiça. Eu me mudei recentemente e ainda não organizei, só separei ficção de não-ficção e uma estante só para os clássicos. Por enquanto, estou me situando no caos. Quando eu trabalhava em livraria, eu e meus colegas, dizíamos que o inferno era um lugar onde chegavam milhares de livros pela manhã e você tinha que guarda-los até à noite porque na manhã seguinte, chegariam outros milhares (não é tão diferente de uma livraria), só que você tinha que fazer isso sozinho (o capeta ficava só no monitor te filmando). O céu era parecido mas chegavam só livros da Cosac, Companhia, Zahar, 34, Martins Fontes e outras legais, em quantidades não tão grandes e no dia seguinte se pá…talvez não chegasse nada e você pudesse lê-los. Não é bom esse céu? E ainda tem uns laguinhos, uns leões que não mordem ninguém e o Garcia Marquez.

  2. Ficou ótima a sua estante, Gabriela. Estou aqui curiando livro por livro rs.

    Quanto mais categorias eu invento menos tempo dura a organização. Mas você parece que adora a brincadeira. Eu acabo me rendendo a bagunça. É livro pra todo o lado.

    Essa estante nova deve ficar linda na foto de capa do site.

    Beijos.

  3. Dama Gabriela, a sua estante me encanta, encanta tanto que eu nem sei o que é melhor, assistir o JC Primeira Edição ou acompanhar o seu blog, apesar do meu mundo girar em torno da gastronomia, adoro o seu mundo. Você é muito linda e inteligente. Muitas pessoas aqui da minha terra gostam do teu blog. Te parabenizo e deixo um poema de minha autoria

    Gabriela
    Princesa
    Dama
    Que ama
    os livros
    Se eu pudesse
    entrar no teu mundo
    eu faria uma festa

  4. Ah, bela, pluscuambela Gaby, deve ter-se sempre uma relação de amor com os livros. Devo a eles quase tudo do pouco que eu sei. Mais ainda nesta época cibernética em que parece que a distopia premonitória de Ray Bradbury se faz realidade.

    Veja o que disse Churchill, o herói que contribuiu a vencer a besta fascista na Segunda Guerra: “If you cannot read all your books, fondle them (…) set them back on the shelves with your own hands, arrange them on your own plan so that you at least know where they are”.

    Assim seja.

  5. Um tempero de aleatório nas bibliotecas pessoais faz bem. Quem gosta de ler merece passear pelas prateleiras e se surpreender com tesouros inesperados ou inusitados. Mas um mínimo de critério também é salutar: profissionais pra cá, literatura pra lá; poesia de um lado, prosa do outro, etc. Um critério importantíssimo ninguém mencionou: livros já lidos, os meus vão lá pra prateleira de cima. Ou melhor, só os bons, que merecem ser colecionados. Já os descartáveis, separo para trocar no sebo ou para doação.

  6. Amei, Gaby! =) Sua estante ficou linda!
    Eu não tenho uma estante muito grande, então meus livros acabam ficando meio separados, mas tento dar uma organizada por cor ou tamanho!
    Quando eu tiver uma estante maior para colocá-los talvez eu adote algum outro critério! Mas também tenho o costume de “passar muitos livros para frente”, assim outras pessoas podem lê-los também e os que não me cativaram muito acabo deixando em sebos mesmo, por conta disso, minhas estantes acabam contemplando apenas aqueles que realmente me tocaram! <3
    Beijo beijo marida!

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